Cadernos de a
COLE

O
Economia solidria
e Trabalho
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Ao longo de sua histria, o Brasil tem enfrentado o problema da excluso social que
gerou grande impacto nos sistemas educacionais. Hoje, milhes de brasileiros ainda
no se beneficiam do ingresso e da permanncia na escola, ou seja, no tm acesso a um
sistema de educao que os acolha.
Educao de qualidade  um direito de todos os cidados e dever do Estado; garantir o
exerccio desse direito  um desafio que impe decises inovadoras.
Para enfrentar esse desafio, o Ministrio da Educao criou a Secretaria de Educao
Continuada, Alfabetizao e Diversidade  Secad, cuja tarefa  criar as estruturas necessrias
para formular, implementar, fomentar e avaliar as polticas pblicas voltadas para os grupos
tradicionalmente excludos de seus direitos, como as pessoas com 15 anos ou mais que no
completaram o Ensino Fundamental.
Efetivar o direito  educao dos jovens e dos adultos ultrapassa a ampliao da oferta
de vagas nos sistemas pblicos de ensino.  necessrio que o ensino seja adequado aos que
ingressam na escola ou retornam a ela fora do tempo regular: que ele prime pela qualidade,
valorizando e respeitando as experincias e os conhecimentos dos alunos.
Com esse intuito, a Secad apresenta os Cadernos de EJA: materiais pedaggicos para o
1. e o 2. segmentos do ensino fundamental de jovens e adultos. Trabalho ser o tema da
abordagem dos cadernos, pela importncia que tem no cotidiano dos alunos.
A coleo  composta de 27 cadernos: 13 para o aluno, 13 para o professor e um com
a concepo metodolgica e pedaggica do material. O caderno do aluno  uma coletnea
de textos de diferentes gneros e diversas fontes; o do professor  um catlogo de atividades,
com sugestes para o trabalho com esses textos.
A Secad no espera que este material seja o nico utilizado nas salas de aula. Ao contrrio,
com ele busca ampliar o rol do que pode ser selecionado pelo educador, incentivando
a articulao e a integrao das diversas reas do conhecimento.
Bom trabalho!
Secretaria de Educao Continuada,
Alfabetizao e Diversidade  Secad/MEC
Apresentao
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Sumrio
TEXTO Subtema
1. A revoluo dos bichosRelicostumes 6
2. A fora est com elas 14
3. A parte de cada um Diversidades regionais 17
4. Assemblia na carpintaria Maturidade social 18
5. Construindo pontesMiscigenao 20
6. Solidariedade Crtica social 23
7. O rio e o oceano Trabalhadores 24
8. Mos dadas Cultura suburbana 26
9. O estatuto da cooperativaa luta dos negros 27
10. Associao ou cooperativa? Ambiente de trabalho 28
11. Planejamento estratgico Identidade nacional 31
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12. O que  cooperao? Ambiente de trabalho 36
13. Receita de organizao ndios do Brasil 38
14. AutogestoImigrao e culinria 42
15. Valores convergentes Direitos civis 44
16. Cooperativas problemas mais graves com a legislao 46
17. O banquetendios do Brasil 49
18. Doce futuro no serto do Piau 50
19. A administrao de uma cooperativa Olhos da alma 52
20. Construyendo una otra economa Arte culinria 54
21. Trabalho e cooperao na origem do ser humanoArte culinria 56
22. Social economy: a 3_rd sector in economiesArte culinria 58
23. Passo-a-passo para abrir uma cooperativa Arte culinria 60
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TEXTO 1
CAPTULO I
O senhor Jones, proprietrio da Granja do Solar, fechou o galinheiro
 noite, mas estava bbado demais para lembrar-se de fechar
tambm as vigias. Com o facho de luz da sua lanterna balanando
de um lado para o outro, atravessou cambaleante o
ptio, tirou as botas na porta dos fundos, tomou um ltimo
copo de cerveja do barril que havia na copa, e foi
para a cama, onde sua mulher j ressonava.
To logo apagou-se a luz do quarto, houve um
grande alvoroo em todos os galpes da granja. Correra,
durante o dia, o boato de que o velho Major, um
porco que j se sagrara grande campeo numa exposio,
tivera um sonho muito estranho na noite
anterior e desejava cont-lo aos outros animais.
Haviam combinado encontrar-se no celeiro, assim
que Jones se retirasse. O velho Major (chamavam-
A REVOLUO
DOS BICHOS
Nesse livro o autor faz uma forte crtica  Revoluo Sovitica de
1917. Ao mesmo tempo, mostra as duras condies de trabalho
e de vida que geraram a revolta popular. O recurso de apresentar
personagens de animais que falam e se comportam como
humanos  muito usado na literatura e na cultura de massa. No
caso deste texto, quem so os porcos? Quem so os homens? Qual
ser o destino da Granja dos Bichos? Procure o livro em uma
biblioteca e saiba o final dessa interessante histria.
George Orwell
Sistemas polticos
 Economia Solidria e Trabalho 6
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no assim, muito embora ele houvesse comparecido  exposio
com o nome de Beleza de Willingdon) gozava de
to alto conceito, na granja, que todos estavam dispostos
a perder uma hora de sono s para ouvi-lo.
Ao fundo do grande celeiro, sobre uma espcie de
estrado, estava o Major refestelado em sua cama de
palha, sob um lampio que pendia de uma viga. Com
doze anos de idade, j bastante corpulento, era ainda um
porco de porte majestoso, com um ar sbio e benevolente, a
despeito de suas presas jamais terem sido cortadas. Os outros
animais chegavam e punham-se a cmodo, cada qual a seu
modo. Os primeiros foram os trs cachorros, Ferrabrs, Lulu e Catavento,
depois os porcos, que se sentaram sobre a palha, em frente ao
estrado. As galinhas empoleiraram-se nas janelas, as pombas
voaram para os caibros do telhado, as ovelhas e as vacas deitaramse
atrs dos porcos e ali ficaram a ruminar. Os dois cavalos de
trao, Sanso e Quitria, chegaram juntos, andando lentamente e
pousando no cho os enormes cascos peludos, com grande cuidado
para no machucar qualquer animalzinho porventura oculto na
palha. Quitria era uma gua volumosa, matronal, j chegada 
meia-idade, cuja silhueta no mais se recompusera aps o nascimento
do quarto potrinho. Sanso era um bicho enorme, de quase
um metro e noventa de altura, forte como dois cavalos. A mancha
branca do focinho dava-lhe um certo ar de estupidez e, realmente,
no tinha l uma inteligncia de primeira ordem,
embora fosse grandemente respeitado pela retido
de carter e pela tremenda capacidade de
trabalho. Depois dos cavalos, chegaram
Maricota, a cabra branca, e Benjamim,
o burro. Benjamin era o animal mais
idoso da fazenda, e o mais moderado.
Raras vezes falava e,
normalmente, quando o fazia,
era para emitir uma observa-
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 Economia Solidria e Trabalho 8
o cnica  para dizer, por exemplo, que Deus lhe dera uma cauda
para espantar as moscas e que, no entanto, seria mais do seu agrado
no ter nem a cauda nem as moscas. Era o nico dos animais
que nunca ria. Quando lhe perguntavam por que, respondia no
ver motivo para riso. No obstante, sem que o admitisse abertamente,
tinha certa afeio por Sanso; normalmente passavam os
domingos juntos no pequeno potreiro existente atrs do pomar,
pastando lado a lado em silncio.
(...)
Quando o Major os viu bem acomodados e aguardando atentamente,
limpou a garganta e comeou:
 Camaradas, j ouvistes, por certo, algo a respeito do
estra-nho sonho que tive na noite passada. Entretanto, falarei do
sonho mais tarde. Antes, as coisas a dizer. Sei, camaradas, que
no estarei convosco por muito tempo e antes de morrer considero
uma obrigao transmitir-vos o que tenho aprendido sobre
o mundo. J vivi bastante e muito tenho refletido na solido da
minha pocilga. Creio poder afirmar que compreendo a natureza
da vida sobre esta terra, to bem como qualquer outro animal. 
sobre isso que desejo falar-vos.
 Ento, camaradas, qual  a natureza da nossa vida? Enfrentemos
a realidade: nossa vida  miservel, trabalhosa e curta. Nascemos,
recebemos o mnimo de alimento necessrio para continuar
respirando e os que podem trabalhar so forados a faz-lo at a
ltima parcela de suas foras; no instante em que nossa utilidade
acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade. Nenhum animal, na
Inglaterra, sabe o que  felicidade ou lazer, aps completar um ano
de vida. Nenhum animal, na Inglaterra,  livre. A vida de um animal
 feita de misria e escravido: essa  a verdade nua e crua.
(...)
O Homem  a nica criatura que consome sem produzir. No
d leite, no pe ovos,  fraco demais para puxar o arado, no corre
o suficiente para alcanar uma lebre. Mesmo assim,  o senhor de
todos os animais. Pe-nos a trabalhar, d-nos de volta o mnimo
Texto 1 / Sistemas polticos
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Economia Solidria e Trabalho  9
para evitar a inanio e fica com o restante. Nosso trabalho amanha
o solo, nosso estrume o fertiliza e, no entanto, nenhum de ns
possui mais do que a prpria pele. As vacas, que aqui vejo  minha
frente, quantos litros de leite tero produzido este ano? E que aconteceu
a esse leite, que deveria estar alimentando robustos bezerrinhos?
Desceu pela garganta dos nossos inimigos. E as galinhas,
quantos ovos puseram este ano, e quantos se transformaram em
pintinhos? Os restantes foram para o mercado, fazer dinheiro para
Jones e seus homens. E voc, Quitria, diga-me onde esto os
quatro potrinhos que deveriam ser o apoio e o prazer da sua velhice?
Foram vendidos com a idade de um ano  nunca voc tornar a
v-los. Como paga pelos seus quatro partos e por todo o seu trabalho
no campo, que recebeu voc, alm de rao e baia?
Mesmo miservel como , nossa vida no chega ao fim de modo
natural. No me queixo por mim que tive at muita sorte. Estou
com doze anos e sou pai de mais de quatrocentos porcos. Isto  a
vida normal de um varro. Mas, no fim, nenhum animal escapa ao
cutelo. Vs, jovens leites que estais sentados  minha frente, no
escapareis de guinchar no cepo dentro de um ano. Todos chegaremos
a esse horror, as vacas, os porcos, as galinhas, as ovelhas, todos.
Nem mesmo os cavalos e os cachorros escapam a esse destino. Voc,
Sanso, no dia em que seus msculos fortes perderem a rigidez,
Jones o mandar para o carniceiro e voc ser degolado e fervido
para os ces de caa. Quanto aos cachorros, depois de velhos e
desdentados, Jones amarra-lhes uma pedra ao pescoo e joga-os na
primeira lagoa.
No est, pois, claro como gua, camaradas, que todos os males
da nossa existncia tm origem na tirania dos seres humanos? Basta
que nos livremos do Homem para que o produto de nosso trabalho
seja somente nosso. Praticamente, da noite para o dia, poderamos
nos tornar ricos e livres. Que fazer? Trabalhar dia e noite, de corpo
e alma, para a derrubada do gnero humano. Esta  a mensagem
que eu vos trago, camaradas: Revoluo! No sei quando sair esta
Revoluo, pode ser daqui a uma semana, ou daqui a um sculo,
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Texto 1 / Sistemas polticos
 Economia Solidria e Trabalho 10
mas uma coisa eu sei, to certo quanto o ter eu palha sob meus
ps: mais cedo ou mais tarde, justia ser feita. Fixai, camaradas
isso, para o resto de vossas curtas vidas! E, sobretudo, transmiti
essa minha mensagem aos que viro depois de vs, para que as
futuras geraes prossigam na luta, at a vitria.
(...)
E agora, camaradas, vou contar-vos o sonho que tive a noite
passada. No sei como explic-lo. Foi um sonho sobre como ser o
mundo quando o Homem desaparecer.
Da a trs noites faleceu o velho Major, tranqilamente, durante
o sono. Seu corpo foi enterrado no fundo do pomar.
Salientavam-se, entre os bichos, dois jovens varres, Bola-de-
Neve e Napoleo, que o Sr. Jones criava para vender.
(...)
Muitos lderes ainda lutaram os porcos para neutralizar as mentiras
espalhadas por Moiss, o corvo domstico. Moiss, bicho de estimao
do Jones, era um espio linguarudo, mas tambm hbil na
conversa. Afirmava a existncia de uma regio misteriosa, Montanha
de Acar, para onde iam os animais aps a morte. Essa montanha
estava situada em algum lugar do cu, pouco acima das nuvens,
segundo dizia Moiss. Na Montanha de Acar, os sete dias da semana
eram domingo, o campo floria o ano inteiro, e cresciam torres
de acar e bolos de linhaa nas sebes. Os animais detestavam
Moiss, porque vivia contando histrias e no trabalhava, porm
alguns acreditavam na Montanha de Acar e os porcos tiveram grande
trabalho para convenc-los de que tal lugar no existia.
(...)
Afinal, a Revoluo ocorreu muito mais cedo e mais facilmente
do que se esperava. Jones fora, no passado, um patro duro, porm
eficiente. Agora estava em decadncia. Desestimulado com a perda
de dinheiro numa ao judicial, dera para beber bastante alm do
conveniente. s vezes, passava dias inteiros recostado em sua cadeira
de braos, na cozinha, lendo os jornais, bebendo e dando a
Moiss cascas de po molhadas na cerveja. Seus pees eram vadios
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e desonestos, o campo estava coberto de erva daninha, os galpes
necessitavam de telhas novas, as cercas estavam abandonadas e os
animais andavam mal alimentados.
Junho chegou, e o feno estava quase pronto para o corte. No
dia 23 de junho, um sbado, Jones foi a Willingdon e bebeu tanto
no Leo Vermelho, que s regressou ao meio-dia de domingo. Os
homens ordenharam as vacas de manh cedo e saram para caar
lebres, sem se preocuparem com a alimentao dos animais. Ao
voltar, Jones foi dormir no sof da sala com o News of the World
sobre o rosto; portanto, ao cair da tarde, os animais ainda no haviam
comido. Aquilo foi insuportvel. Uma das vacas rebentou a
chifradas a porta do depsito e os bichos avanaram sobre o alimento.
Nesse momento, Jones acordou. Num instante, ele e seus homens
estavam no depsito com os chicotes na mo, batendo a torto
e a direito. Isso ultrapassou a tudo quanto os animais famintos podiam
suportar. De comum acordo, muito embora nada tivesse sido
anteriormente planejado, lanaram-se sobre seus verdugos. Jones e
os homens viram-se de repente marrados e escoiceados por todos
os lados. A situao lhes fugira ao controle. Jamais haviam visto os
animais portarem-se daquela maneira, e a sbita revolta de criaturas
a quem estavam acostumados a surrar e maltratar  vontade,
apavorou-os. Em poucos instantes, desistiram de defender-se e
deram o fora. Um minuto depois, os cinco voavam pela trilha rumo
 estrada principal, com os bichos a persegui-los triunfantes.
A mulher de Jones olhou pela janela do quarto, viu o que acontecia,
reuniu s pressas alguns haveres dentro de uma bolsa de
pano e escapuliu da granja por outro caminho. Moiss levantou
vo do poleiro e bateu asas atrs dela, grasnando ruidosamente.
Enquanto isso, os bichos haviam posto Jones e os pees para fora
da granja, fechando atrs deles a porteira das cinco barras. E assim,
antes de perceberem o que sucedera, a Revoluo estava feita.
Jones fora expulso e a Granja do Solar era deles.
(...)
Em curto tempo, os bichos destruram tudo quanto lhes recor-
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 Economia Solidria e Trabalho 12
dava Jones. Napoleo conduziu-os de volta ao depsito de forragem
e serviu uma rao dupla de cereais para todo mundo, com
dois biscoitos para cada cachorro. Depois cantaram Bichos da
Inglaterra de ponta a ponta, sete vezes, uma atrs da outra, deitaram-
se e dormiram como nunca.
(...)
Os porcos revelaram que durante os ltimos trs meses haviam
aprendido a ler e escrever, num velho livro de ortografia dos filhos
de Jones, que fora jogado no lixo. Napoleo mandou buscar latas
de tinta preta e branca e conduziu-os at a porteira das cinco barras
que dava para a estrada principal. Ento, Bola-de-Neve (que era
quem escrevia melhor) pegou o pincel entre as juntas da pata,
apagou o nome GRANJA DO SOLAR do travesso superior e, em
seu lugar, escreveu GRANJA DOS BICHOS. Seria esse o nome da
granja daquele momento em diante. Depois disso, voltaram para as
casas da granja; Bola-de-Neve e Napoleo mandaram buscar uma
escada e ordenaram que fosse encostada  parede do fundo do
celeiro grande. Explicaram que, segundo os estudos que haviam
feito nos ltimos trs meses, era possvel resumir os princpios do
Animalismo em Sete Mandamentos. Esses Sete Mandamentos, que
seriam agora escritos na parede, constituiriam a lei inaltervel pela
qual a Granja dos Bichos deveria reger sua vida a partir daquele
instante, para sempre.
Com alguma dificuldade (pois no  fcil um porco equilibrar-
se numa escada de mo), Bola-de-Neve subiu e comeou a
trabalhar, enquanto Garganta, alguns degraus abaixo, segurava a
lata de tinta. Os Mandamentos foram escritos na parede alcatroada
em grandes letras brancas que podiam ser lidas a muitos
metros de distncia. Eis o que dizia o letreiro:
OS SETE MANDAMENTOS
1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas  inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha
asas,  amigo.
Texto 1 / Sistemas polticos
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3. Nenhum animal usar roupas.
4. Nenhum animal dormir em cama.
5. Nenhum animal beber lcool.
6. Nenhum animal matar outro animal.
7. Todos os animais so iguais.
 E agora, camaradas  disse o leito Bola-de-Neve, deixando
cair o pincel, ao campo de feno!  uma questo de honra realizar
a colheita em menos tempo do que Jones e seus homens.
Nesse momento, porm, as vacas, que j vinham dando sinais
de inquietao, comearam a mugir. Havia vinte e quatro horas que
no eram ordenhadas e estavam com os beres quase estourando.
Depois de alguma reflexo, os porcos pediram baldes e ordenharam
as vacas com relativo xito, pois seus cascos adaptavam-se bem
 tarefa. Em breve obtinham cinco baldes de um leite espumante e
cremoso, que muitos bichos olharam com considervel interesse.
 Que vamos fazer com esse leite?  perguntou algum.
 Jones s vezes misturava um pouco ao nosso farelo  disse
uma galinha.
 No se preocupem com o leite, camaradas!  gritou Napoleo,
postando-se  frente dos baldes.
 Ns trataremos desse assunto. A colheita  mais importante.
O camarada Bola-de-Neve os conduzir.
Eu seguirei dentro de alguns minutos. Avante, camaradas! O
feno est  espera.
Os animais marcharam rumo ao campo de feno, para o incio
da colheita, e quando voltaram,  tardinha, notaram que o leite
havia desaparecido.
(...)
George Orwell  o pseudnimo de Erick Arthur Blair (25-06-1903 a 21-01-1950). Nasceu em Bengala,
ndia inglesa, e morreu em Londres. Toda sua obra madura traduz seu desencanto com o stalinismo, que
ele considerava uma traio  causa socialista.
Fonte P A Revoluo dos Bichos, de GEORGE ORWELL. Editora Globo, 2000., 1.ed.
Economia Solidria e Trabalho  13
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Organizao social feminina
TEXTO 2
Foto: Mnica Zarattini / AE
 Economia Solidria e Trabalho 14
A FORA EST
COM ELAS
Em Santa F um grupo de 26
amigas mantm viva uma tradio
secular: o fabrico da farinha
de mandioca e do polvilho.
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Economia Solidria e Trabalho  15
Faltava pouco para as trs da manh
quando o dia j havia comeado para
Maria. Como faz h vinte anos, levantou,
coou o caf e seguiu para o trabalho
que s terminaria quinze horas depois,
s cinco da tarde. Precisa esse tempo
todo para, junto com doze colegas, descascar
uma montanha com 2 mil quilos
de mandioca que, depois de lavadas, raladas
e torradas, se transformam em 150
quilos de farinha.
A dura rotina de Maria, porm, no
apaga de seu rosto o ar de alegria e felicidade,
pelo simples fato de estar vivendo.
Maria Alves dos Santos, 47 anos, duas
filhas e trs netos, foi desenganada pela
medicina, mas no se entregou, mesmo
tendo feito oito cirurgias e ter de conviver
com o mal de Chagas e a disritmia. Quando
a dor vence sua obstinao pela produo
de farinha, ela pra e vai costurar em
casa. Mas, j que no pode carregar peso,
carrega a certeza de que o trabalho  o
melhor remdio para mant-la de p.
A histria de Maria no  exclusiva,
h outras bem parecidas no seu grupo de
26 amigas que mantm viva uma tradio
secular: a fabricao da farinha de
mandioca e do polvilho. Enquanto trabalham,
contam histrias, do boas risadas
e vo tocando a vida. Juntas, formam a
Associao das Mulheres de Santa F,
cidadezinha com pouco mais de 7 mil
habitantes, a 260 km de Goinia.
Incentivadas por uma freira dominicana,
h vinte anos as mulheres comearam a se
reunir para estudar os ensinamentos bblicos
e acabaram criando a escola Troca de Saber.
Pensaram em alguma atividade que desse
dinheiro, e comearam a fazer colchas de
retalho. Sem recursos para iniciar a produo,
buscaram doaes na comunidade local
e receberam apoio de organizaes internacionais
que doaram mquinas e tecido.
Mas, mesmo com toda a dedicao, a
tentativa esbarrou na falta de prtica das
associadas e no fraco mercado para o
produto. Levavam at uma semana para
produzir uma colcha e, nos trs primeiros
anos, no tiveram nenhum lucro. Foi ento
Foto: Milton Michida / AE
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Texto 2 / Organizao social feminina
que surgiu a idia da farinha, j que todas
sabiam como se fazia. Em mutiro, construram
um rancho de palha e cho batido
e l fincaram as razes da associao.
Naquele tempo, a idia de se trabalhar em
parceria era vista como subversiva, e elas
no contavam nem com a simpatia dos
prprios maridos. Contudo, a amizade
entre elas se fortaleceu, e a associao
ganhou respeito.
Convvio familiar
Assim, as mulheres de Santa F comearam
a tirar da farinha no s o sustento,
mas um ideal de vida. As jovens obstinadas
da dcada de 1980 casaram, tiveram filhos,
netos, mas no arredaram o p do trabalho
comunitrio. Como em um formigueiro,
cada uma sabe muito bem da sua misso,
num verdadeiro exemplo de como viver em
harmonia numa comunidade.
A primeira ata da associao  motivo de
orgulho para as mulheres da comunidade.
Agora as mulheres de Santa F querem
conquistar novos horizontes e para isso
procuraram ajuda de pessoas que entendem
de administrao de empresa, pois o
lucro atual ainda  muito baixo. Para se ter
idia, num determinado ms em que a receita
lquida foi de R$ 150, o conserto de
um triturador custou-lhes R$ 210.
A receita  resultante da venda da
produo de farinha e polvilho. Cada associada
leva sua parte, em dinheiro ou
produto, e a associao fica com 10% da
produo para custear as despesas. A
prefeitura paga as contas de gua e energia
eltrica, num total de R$ 400. Como a
associao no tem terreno para o cultivo,
compra a mandioca de produtores da
regio, a R$ 0,08 o quilo, ou ento pega 
meia  produz e divide a farinha pela
metade com o produtor. A Maria na nossa
histria, por exemplo, comprou uma carga
de mandioca por R$ 85,00. Trs semanas
depois, recebeu 45 kg de farinha e 60 litros
de polvilho, que lhe renderam R$ 135,00.
 Economia Solidria e Trabalho 16
Revista SEBRAE n. 7 nov.-dez./2002, seo "Uma histria de vida",
disponvel em http://www.sebrae.com.br/revistasebrae/07/index.htm
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Vida solidria
Houve um incndio na floresta e enquanto todos os bichos corriam
apavorados, um pequeno beija-flor ia do rio para o incndio
levando gotinhas de gua em seu bico. O leo, vendo aquilo,
perguntou para o beija-flor: , beija-flor, voc acha que vai
conseguir apagar o incndio sozinho?. E o beija-flor respondeu:
Eu no sei se vou conseguir, mas estou fazendo a minha parte.
Fonte P O beija-flor, fbula de domnio pblico utilizada por Betinho como metfora de solidariedade.
Extrado de http://www.riovoluntario.org.br/trofeu/trofeu2000.html
Economia Solidria e Trabalho  17
A PARTE DE CADA UM
TEXTO 3
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Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha
assemblia.
Foi uma reunio de ferramentas para acertar suas diferenas.
Um martelo exerceu a presidncia, mas os participantes
lhe notificaram que teria que renunciar.
A causa?
Fazia demasiado barulho; e, alm do mais, passava todo o
tempo golpeando.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que tambm fosse
expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para
conseguir algo.
Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez,
pediu a expulso da lixa. Dizia que ela era muito spera no
tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.
ASSEMBLIA NA CARPINTARIAFbula sobre os dons de cada um e a vantagem das associaes
Sistemas Polticos
TEXTO 4
 Economia Solidria e Trabalho 18
Autor desconhecido
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A lixa acatou, com a condio de que se expulsasse o
metro que sempre media os outros segundo a sua medida,
como se fora o nico perfeito.
Nesse momento, entrou o carpinteiro, juntou o material e
iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o
parafuso.
Finalmente, a rstica madeira se converteu num fino
mvel.
Quando a carpintaria ficou novamente s, a assemblia
reativou a discusso.
Foi ento que o serrote tomou a palavra e
disse:
Senhores, ficou demonstrado que temos
defeitos, mas o carpinteiro trabalha com
nossas qualidades, com nossos pontos valiosos.
Assim, no pensemos em nossos pontos
fracos, e concentremo-nos em nossos pontos
fortes.
A assemblia entendeu que o martelo era forte, o parafuso
unia e dava fora, a lixa era especial para limar e afinar
asperezas, e o metro era preciso e exato.
Sentiram-se ento como uma equipe capaz de produzir
mveis de qualidade.
Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.
Ocorre o mesmo com os seres humanos. Basta observar e
comprovar.
Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situao
torna-se tensa e negativa; ao contrrio, quando se busca com
sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores
conquistas humanas.
 fcil encontrar defeitos, qualquer um pode faz-lo.
Mas encontrar qualidades... isso  s para os sbios!!!!
Economia Solidria e Trabalho  19
Extrado de www.paralerepensar.com.br/assembleia_na_carpintaria.htm
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Certa vez, dois irmos que moravam em fazendas vizinhas, separadas
apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira
grande desavena em toda uma vida trabalhando lado a lado,
repartindo as ferramentas e cuidando um do outro.
Durante anos percorreram uma estreita, porm, comprida estrada
que corria ao longo do rio para, ao final de cada dia, poder atravess-
lo e desfrutarem um da companhia do outro. Apesar do cansao,
faziam-no com prazer, pois se amavam. Mas agora tudo havia
mudado. O que comeara com um pequeno mal entendido finalmente
explodiu numa troca de palavras rspidas, seguidas por semanas
de total silncio.
Numa manh, o irmo mais velho ouviu baterem  sua porta. Ao
abri-la, um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro na
mo, disse:
 Estou procurando trabalho, talvez voc tenha algum servio para
mim.
 Sim!  disse o fazendeiro  tenho um trabalho para voc. Olhe
aquela fazenda alm do riacho.  de meu vizinho, na verdade, meu
irmo mais novo. Brigamos e eu no o suporto mais. Est vendo
aquela pilha de madeira perto do celeiro? Quero que voc construa
Vidas solidrias
TEXTO 5
 Economia Solidria e Trabalho 20
Duas fbulas sobre a
magia de fazer boas obras
CONSTRUINDO
PONTES
Ilustrao Alcy
05CA04T04P1 16.01.07 16:01 Page 20
uma cerca bem alta ao longo do rio para que eu no mais
precise v-lo.
 Acho que entendi a situao  disse o carpinteiro.  Mostre-me
onde esto o martelo e os pregos que farei um trabalho que o deixar
satisfeito.
Como precisava ir  cidade, o irmo mais velho ajudou o carpinteiro
a encontrar o material e partiu. O homem trabalhou duro durante
todo o dia medindo, cortando e pregando.
J anoitecia quando terminou a obra, ao mesmo tempo em que o
fazendeiro retornava. Porm, seus olhos no podiam acreditar no que
viam. No havia cerca alguma! Em seu lugar tinha uma ponte ligando
um lado ao outro do riacho. Era realmente um belo trabalho, mas,
enfurecido, o fazendeiro exclamou:
 Voc  muito insolente em construir esta ponte depois de tudo
que lhe contei!
No entanto, as surpresas no haviam terminado. Ao erguer os
olhos para a ponte de novo, viu o irmo aproximando-se da outra
margem, correndo com os braos abertos. Cada qual ficou imvel por
alguns instantes de seu lado do rio, quando, num impulso, correram
um em direo do outro, abraando-se e chorando quando se encontraram
no meio da ponte. Emocionados, viram o carpinteiro arrumando
suas ferramentas para partir.
 No, espere!  disse o mais velho  Fique conosco mais alguns
dias, tenho mais trabalho para voc.
Ento o carpinteiro respondeu:
 Adoraria ficar, mas, tenho muitas outras pontes para construir.
AT O FIM
O velho carpinteiro tinha planos de largar o trabalho de construo
de casas e viver uma vida mais tranqila com a famlia. Claro que
iria sentir falta do salrio, mas preferia se aposentar.
Economia Solidria e Trabalho  21
05CA04T04P1 16.01.07 16:01 Page 21
O patro sentiu em saber que perderia um de seus melhores
empregados, ento, pediu-lhe que construsse uma ltima casa como
um favor especial. O carpinteiro concordou, mas no era difcil observar
que seus pensamentos no estavam concentrados no trabalho.
Ele no se empenhou no servio e usou mo-de-obra e materiais de
qualidade inferior. Foi um jeito lamentvel de encerrar a carreira.
Quando o terminou, o patro, depois de inspecionar a casa,
pegou a chave da porta principal e a entregou ao carpinteiro dizendo
Esta  a sua casa,  meu presente pra voc.
Que choque! Que vergonha! Se o carpinteiro soubesse que estava
construindo sua prpria casa, teria feito completamente diferente,
no teria relaxado. Agora ele iria morar numa casa construda de
qualquer jeito por ele mesmo.
Assim acontece conosco. Construmos nossas vidas de modo
distrado, reagindo mais do que agindo, colocando menos em vez
de colocar o melhor. Nos assuntos importantes no empenhamos
nosso melhor esforo. Ento, em choque, olhamos para a situao
que ns mesmos criamos e vemos que estamos morando na casa
que ns mesmos construmos. Se soubssemos, teramos feito de
modo diferente...
Pense como o carpinteiro pensaria se soubesse que estava
construindo a sua prpria casa. Pense sobre sua casa. Cada dia
voc martela um prego novo, coloca uma armao ou levanta
uma parede. Construa sabiamente.  a nica vida que voc construir.
Mesmo que tenha somente mais um dia de vida, este dia
merece ser vivido com graa e dignidade. Na placa ess escrito:
A vida  um projeto de faa voc mesmo. A vida de hoje  o
resultado de atitudes e escolhas feitas no passado. A vida de
amanh ser o resultado de atitudes e escolhas feitas hoje.
Texto 5 / Vidas solidrias
 Economia Solidria e Trabalho 22
Extrado do site www.metaforas.com.br
05CA04T04P1 16.01.07 16:01 Page 22
Solidrios, somos gente;
Solitrios, somos peas.
De mo dadas, somos fora;
Desunidos, impotncia.
Isolados, somos ilha;
Juntos, somos continente.
Inconscientes, somos massa;
Reflexivos, somos grupo.
Organizados, somos pessoas;
Sem organizao, somos objetos de lucro.
Em equipe, ganhamos, libertamo-nos;
Individualmente, perdemos, continuamos
presos.
Participando, somos povo;
Marginalizando-nos, somos rebanho.
Unidos, somos soma;
Na massa, somos nmero.
Dispersos, somos vozes no deserto;
Agrupados, fazemo-nos ouvir.
Amontoando palavras, perdemos tempo;
Com aes concretas, construmos
sempre.
Economia Solidria e Trabalho  23
SOLIDARIEDADE
Um chamado  unio
Causas coletivas
TEXTO 6
Extrado de http://www.gdfsige.df.gov.br/Modelos/Mod16/
Default.Asp?EW=114&CL=422&EF=sq_cliente=422&IN=930
06CA04T07P1 12/15/06 1:01 AM Page 23
Filosofia social
TEXTO 7
 Economia Solidria e Trabalho 24
07CA04T06P1 12/15/06 12:54 AM Page 24
Economia Solidria e Trabalho  25
Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele
treme de medo.
Olha para trs, para toda a jornada, os cumes, as
montanhas, o longo caminho sinuoso atravs das florestas,
atravs dos povoados, e v  sua frente um
oceano to vasto que entrar nele nada mais  do que
desaparecer para sempre.
Mas no h outra maneira.
O rio no pode voltar.
Ningum pode voltar.
Voltar  impossvel na existncia.
Voc pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano  que o medo
desaparece.
Porque apenas ento o rio saber que no se trata de
desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado  desaparecimento e por outro lado 
renascimento.
Extrado de http://www.artemanhas.iter.com.br/rio
_e_oceano/rio_e_o_oceano.htm
07CA04T06P1 12/15/06 12:54 AM Page 25
...No serei o poeta de um mundo caduco.
Tambm no cantarei o mundo futuro.
Estou preso  vida e olho meus companheiros.
Esto taciturnos mas nutrem grandes esperanas.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente  to grande, no nos afastemos.
No nos afastemos muito, vamos de mos dadas.
Extrado do livro Alguma Poesia, 1930.
MOS DADAS
Carlos Drummond de Andrade
Vida solidria
TEXTO 8
 Economia Solidria e Trabalho 26
Ilustrao: Alcy
08CA04T08P1 12/15/06 12:50 AM Page 26
Xxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxXxxxxxxxxxxxx
xxxxxxxxxxxxXxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx
Foto: Xxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx
XXXXX
Xxxxxxxxxx
TEXTO x
Economia Solidria e Trabalho  27
o documento que determina as funes
dos diversos setores da cooperativa.
Ele contm as normas gerais de
administrao, objeto, funcionamento e
outras tantas regras do interesse dos cooperados.
Antes da Lei cooperativista 5.764 de
1971, havia um modelo padro de Estatuto.
Depois da Constituio de 1988, so as
assemblias das cooperativas que definem
os seus estatutos. Mesmo assim, alguns
itens devem, obrigatoriamente, constar nos
Estatutos, como:
Nome da cooperativa, tipo de entidade,
prazo de durao, sede e foro,
rea de ao, objeto da sociedade e fixao
do exerccio social.
Os direitos e deveres dos associados, a
natureza de suas responsabilidades e
as condies de admisso, demisso, eliminao
e excluso destes e, as normas para
sua representao nas assemblias gerais.
O capital mnimo, valor da cota-parte,
o nmero de cotas-partes a ser subscrito
pelo associado, o modo de integralizao,
bem como as condies de
sua retirada. A forma de devoluo das
sobras ou rateio das perdas apuradas.
O modo de administrao e fiscalizao,
estabelecendo os respectivos
rgos e definindo suas atribuies, a representao
ativa e passiva da sociedade em
juzo e fora dele, o prazo de mandato, bem
como o processo de substituio dos administradores
e conselheiros fiscais.
As formalidades de convocao das
Assemblias e a maioria necessria
para sua instalao, seu funcionamento e
a validade de suas deliberaes.
Os casos e formas de dissoluo da
sociedade e destino do patrimnio nesses
casos.
Casos de reforma nos estatutos, e quando
este entra em vigor.
O ESTATUTO DA
COOPERATIVA
Organizao social
Extrado e adaptado do texto Curso Bsico de Cooperativismo da
Incubadora Tecnolgica de Cooperativas Populares e Autogesto
da Universidade Federal do Cear.
1
4
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3
9
09CA04T10P1 21.01.07 21:22 Page 27
ASSOCIAO
OU COOPERATIVA?
 Economia Solidria e Trabalho 28
Organizao do trabalho
TEXTO 10
Segundo a lei 5.764, de 16/12/71, a cooperativa
: uma sociedade de pessoas, com forma e
natureza jurdica prprias, de natureza civil,
no sujeita a falncia, constituda para
prestar servios aos associados
Uma cooperativa  uma associao voluntria
de, no mnimo, 20 pessoas,
sem fins lucrativos, porm com fins
econmicos, que exercem uma mesma atividade
para realizar objetivos comuns. Para
tanto, contribuem eqitativamente para a
formao do capital necessrio adquirindo
cotas e aceitando assumir de forma igualitria
os riscos e benefcios do empreendimento.
 regida pelo princpio democrtico:
cada pessoa um voto. Os excedentes
ou sobras so distribudos na proporo do
trabalho de cada cooperado.
A cooperativa  ao mesmo tempo uma
entidade social (um empreendimento financiado,
administrado e controlado coletivamente)
a servio de seus associados
e uma empresa, que tem que ser eficiente
e eficaz.
As empresas cooperativas baseiam-se
em valores de ajuda mtua, solidariedade,
democracia e participao. Tradicionalmente,
acreditam nos valores ticos de
honestidade, responsabilidade social e
preocupao com seus semelhantes.
Quando montar
Uma cooperativa pode ser a soluo
toda vez que:
 Houver um mnimo de 20 trabalhadores
envolvidos no processo e com
interesses comuns ou semelhantes; e,
naturalmente, consumidores para os
seus produtos.
 O empreendimento dessas pessoas tiver
uma finalidade mercantil, isto , visar a
um mercado como, por exemplo, produo,
prestao de servios, compra
10CA04T09P1 16.01.07 16:19 Page 28
de determinados bens ou mercadorias,
comercializao de determinados produtos
etc.;
 Todo o grupo tiver entendido os princpios
e fundamentos do cooperativismo e,
sobretudo, a mudana comportamental, e
interrelacionamento grupal.
Quando o empreendimento envolver
poucas pessoas, talvez a melhor soluo
seja montar uma empresa. Quando o empreendimento,
envolvendo muitas pessoas,
tiver uma finalidade mais social, a melhor
soluo pode ser a associao.
Associaes e cooperativas
Comparando associaes e cooperativas,
o que se deve ressaltar  que as duas
iniciativas tm finalidades completamente
distintas. A associao tem como finalidade
a promoo, educao e assistncia social
Economia Solidria e Trabalho  29
Cooperativa de artesanato
de sisal e cortume no
municpio de Valente (BA)
10CA04T09P1 16.01.07 16:19 Page 29
e, nesse sentido, cumpre um importante
papel. A finalidade da cooperativa, mesmo
que tenha as mesmas intenes da associao,
 viabilizar o negcio produtivo.
Por isso, quando se deseja reunir
pessoas e levar adiante uma atividade social,
o certo  fazer a associao. Quando
se pretende desenvolver uma atividade
comercial de forma coletiva e retirar dela
o prprio sustento, a forma mais adequada
 a cooperativa.
Duas grandes vantagens:
1  Os associados so os donos da iniciativa
e, portanto, tambm dos ganhos
e do patrimnio da mesma. Com isso,
tm mais possibilidade de se afirmarem
economicamente, sem depender dos
patres ou do Estado.
Na associao, os associados no so
efetivamente os seus donos. Eles so os
que mandam, mas tanto a atividade quanto
o patrimnio e os ganhos eventualmente
obtidos, pertencem  sociedade.
2  Como as cooperativas se destinam a
beneficiar exatamente as pessoas que
desenvolvem a atividade produtiva das
mesmas, essas pessoas podem receber
pagamento por isso, sem que haja vnculo
empregatcio, porque assim seriam
empregados de si mesmos.
Na associao, caso os associados
desenvolvam uma atividade produtiva e
recebam pagamento por isso, continuam
sendo associados, mas so tambm
empregados da associao, com todas as
obrigaes e direitos. No entanto, quando
a associao comercializa os produtos
deixados pelos associados em consignao,
essa regra no se aplica, pois a associao
estar somente prestando um servio
aos associados (contanto que isso
esteja previsto no estatuto).  o caso das
associaes de artesos.
As associaes tm, portanto, duas
desvantagens em relao s cooperativas:
1  No caso de sobra de dinheiro, este
no pode ser distribudo entre os associados:
tem que ser direcionado para a atividade-
fim da associao.
2  So menos profissionais, pois como
no recebem pagamento por seu trabalho,
no tm muito tempo para correr
atrs de negcios para a associao.
No entanto, as associaes tm duas
vantagens para grupos que querem comercializar
seus produtos, que esto comeando
e ainda no se sentem seguros para
fundar uma cooperativa:
1  O gerenciamento  mais simples.
2  O custo de registro  menor.
Texto 10 / Organizao do trabalho
 Economia Solidria e Trabalho 30
Fontes P Como montar cooperativas populares  passo a passo para
a legalizao de cooperativas, elaborado por Sandra Mayrink Veiga e
revisto e modificado por Jos Celso Carbonar, in: Mance, Euclides
(org); Como organizar redes solidrias, e Cooperativismo  uma
revoluo pacfica em ao, de Sandra M. Veiga e Isaque Fonseca;
e Associaes  como constituir sociedades civis sem fins lucrativos,
de Sandra M. Veiga e Daniel Rech.
10CA04T09P1 16.01.07 16:19 Page 30
Aorganizao e o bom funcionamento
de um empreendimento, seja microempresa,
associao ou cooperativa,
depende de um bom planejamento. Para
isso  necessrio que seja feito um Plano de
Negcios, que  uma forma de projetar no
futuro o desenvolvimento do nosso negcio,
para diminuir as possibilidades de riscos
que todo empreendimento apresenta.
Antes de tudo,  fundamental conhecer
o ambiente em que nosso empreendimento
vai atuar, ou seja, quais so as ameaas e as
oportunidades que oferece ao nosso negcio.
Esse ambiente pode ser dividido em
duas partes:
P 1. Ambiente externo  tudo o que acontece
fora do alcance do nosso empreendimento
como: acontecimentos polticos, trocas
de governos ou polticas econmicas, transformaes
tecnolgicas, mudana de hbitos
de consumo, etc. Tanto podem ser locais
como globais, e podem afetar nosso empreendimento
de forma positiva, como oportunidades,
ou de forma negativa, como ameaas.
P 2. Ambiente interno  so as caractersticas
e condies do nosso empreendimento
e das pessoas que dele fazem parte. Tanto
as positivas, que so as nossas foras, como
as negativas, as fraquezas. Sobre essas
caractersticas devemos interferir, tanto
para corrigir possveis fraquezas, quanto
para aumentar os pontos fortes.
Modelo para a elaborao
de um plano de negcios
Aqui esto os itens que normalmente
fazem parte de um Plano de Negcios, com
uma breve descrio das informaes que
devem ser colocadas em cada um.
PLANEJAMENTO
ESTRATGICO
Organizao empresarial
TEXTO 11
Economia Solidria e Trabalho  31
11CA04T15P1 16.01.07 18:49 Page 31
1. Resumo
Faa aqui um resumo geral do empreendimento
que o grupo deseja montar.
Por ser um resumo, deve ser o ltimo tpico
a ser feito.
2. O empreendimento
Apresente-o com clareza e objetividade
(utilize no mximo trs pginas). Prove
que voc tem um bom empreendimento!
Escreva sobre os itens abaixo:
P O objetivo do empreendimento.
P Os produtos/servios que sero oferecidos.
P Quem sero os consumidores dos produtos/
servios.
P Quem so os empreendedores (cooperados,
associados, etc.).
P O que ser preciso fazer para o
empreendimento comear a funcionar
e crescer (equipe, ponto, organizao
interna, etc.).
P Qual ser o excedente/sobra gerado
pelo empreendimento.
P Quais as necessidades de financiamento
e emprstimo. Quando e em que o dinheiro
conseguido ser utilizado.
Nos prximos tpicos voc (ou o grupo)
falar sobre os objetivos do empreendimento
que pretende abrir, por que pretende
abrir, como ser sua organizao e
as pessoas que iro trabalhar:
a) Identificao do empreendimento
Aqui voc precisar escolher a identidade
do empreendimento, quem o formar,
como ele ser. Veja o que deve ser
informado:
P o nome do empreendimento e sua localizao;
P o nmero do CNPJ (Cadastro Nacional
de Pessoa Jurdica), inscries estaduais
e municipais, se existirem;
P dados pessoais dos membros;
P como o empreendimento pode ser
classificado? Ser cooperativa, associao,
microempresa ou ONG?;
P como ser dirigido o empreendimento?
Explique quem sero os diretores
e quem poder assinar documentos e
contratos. Como os Conselhos sero
formados e como iro funcionar?.
b) Definio do empreendimento
Descreva o seu empreendimento, deixando
bem claro para que ele est sendo
criado.
Diga resumidamente como o empreendimento
ser montado: o local escolhido,
o setor de produo ou prestao de
servios, os tipos de produto e servio que
sero oferecidos.
Se o empreendimento j existe, conte
um pouco sobre a sua histria, os momentos
mais difceis, os desafios, as vitrias e
as mudanas importantes. Informe tam-
Texto 11 / Organizao empresarial
32  Economia Solidria e Trabalho
11CA04T15P1 16.01.07 18:49 Page 32
bm como  a venda dos produtos que j
tem.
Este tpico  fundamental para que o
leitor entenda o que  o empreendimento
e sinta que ele est bem planejado. Por
isso, no aumente nem diminua suas vantagens.
A dica  utilizar bom senso e ser
realista. Isso mostrar que voc (ou seu
grupo) est preparado e com os ps no
cho para montar o empreendimento.
c) Equipe
Fale rapidamente sobre os associados/
cooperados e sobre os principais funcionrios
(quando e se houver). Qual  a
formao, quais so os conhecimentos e
as experincias de cada um? Quais sero
as tarefas de cada um quando o empreendimento
comear a funcionar?
Para o leitor do seu plano, um empreendimento
organizado por pessoas sem
experincia e sem capacidade no  um
bom negcio. Por isso, mostre o contrrio:
que todos da equipe so capazes e
tm motivao e garra para alcanar os
objetivos propostos.
d) Motivao e boas oportunidades
Motivao e boas oportunidades so
decisivas para o sucesso de um empreendimento.
Com certeza, quem estiver avaliando
o plano de negcios estar de
olho nesses itens.
Relate neste tpico de onde vem a
motivao do grupo, porque escolheu
esse tipo de empreendimento. Essa deciso
veio de um sonho, de um desejo coletivo?
Todos da equipe esto motivados o
suficiente para enfrentar os desafios e
dificuldades que viro? Sejam realistas.
Falem resumidamente sobre o que faz o
empreendimento ser uma boa oportunidade
(como vantagens em relao a produtos
concorrentes, inovaes, boa localizao,
etc.). Mostre que ele tem grandes
chances de dar bons resultados e que
todos esto determinados a vencer.
3. Produtos e servios
Descreva aqui as principais caractersticas
do produto ou servio que voc ir
oferecer. Fale rapidamente sobre sua qualidade,
as vantagens que ele possui em relao
aos produtos dos concorrentes e sobre
sua imagem no mercado (como ele ser
visto pelos clientes?).
Nos prximos tpicos voc informar
sobre:
a) Tecnologia e processo
Aqui voc deve falar sobre o processo
de fabricao do produto ou servio e
sobre a tecnologia utilizada.
Antes de tudo, informe como se d a
fabricao do produto, desde a matria-
Economia Solidria e Trabalho  33
11CA04T15P1 16.01.07 18:49 Page 33
prima at o produto final, que ser vendido
ao consumidor.
No caso do ramo de servios, explique
passo a passo, como o servio ser
prestado. Se o empreendimento for do
ramo do comrcio, fale sobre o processo
de compra e venda de mercadorias.
D informaes sobre fornecedores,
distribuidores e sobre a mo-de-obra empregada.
Diga se alguma tecnologia especial
ser utilizada e de onde ela vem.
b) Benefcios e vantagens competitivas
Vantagem competitiva  aquilo que o
seu produto tem que o produto dos concorrentes
no tem.  o que faz dele especial
no mercado.
Pense: Por que o cliente escolher o
produto do seu empreendimento e no o
do concorrente? Fale sobre os benefcios
que trar ao consumidor, principais vantagens
e caractersticas.
c) Preos
Faa uma anlise dos gastos com a
produo, pesquise quanto as pessoas esto
dispostas a pagar pelo produto/servio,
veja qual  o preo de mercado. S
depois d um preo ao produto/servio.
Diga se haver alguma vantagem sobre
os preos comuns de mercado. Haver
alguma promoo? No futuro voc mudar
o preo?
4. Anlise de mercado
 fundamental para empreendedores
saberem tudo sobre o mercado em que o
empreendimento vai entrar. Isso ajudar
a tomar decises, enxergar boas oportunidades
e criar estratgias para vencer
desafios e ameaas.
Para preencher os prximos tpicos
voc precisar conseguir informaes
sobre:
a) Setor (ramo)
Consiga dados objetivos e coerentes.
Esta parte do Plano  muito visada por
investidores e financiadores.
Neste tpico  preciso mostrar, com
clareza, porque  vantajoso abrir um
empreendimento em determinado setor.
Descreva todas as caractersticas do
ramo em que seu empreendimento vai
atuar. Fale sobre sua importncia na regio,
se existem muitos concorrentes, sobre
como as pessoas vem o tipo de produto/
servio que voc vender, quando as pessoas
procuram por ele, etc.
Analise os riscos que o setor pode
apresentar. O governo faz algum tipo de
controle na produo? Pagar algum
imposto especial pelo produto? Existe
matria-prima na regio para a fabricao
do produto? O setor est em baixa
ou em alta? Existe alguma tecnologia
melhor do que a do empreendimento? As
 Economia Solidria e Trabalho 34
Texto 11 / Organizao empresarial
11CA04T15P1 16.01.07 18:49 Page 34
vendas sero afetadas por fatores geogrficos,
como temperatura, estaes do ano,
tempo?
b) Clientela
A satisfao do cliente deve ser a
razo de ser do empreendimento. E para
satisfazer o cliente precisamos primeiro
conhec-lo. A Pesquisa de mercado ajudar
nisso. S por meio dela ser possvel
criar estratgias, melhorar seu produto/
servio para agradar o cliente e calcular
o quanto ir vender.
Informe aqui qual ser o consumidor
do produto/servio. Diga onde ele est,
qual  o seu perfil (idade, sexo, condio
financeira e social, estilo de vida), quais
so suas necessidades e comportamentos.
Calcule tambm a quantidade de possveis
consumidores e seu alcance regional
e nacional.
Mostre que existe um mercado consumidor
para o produto ou servio e o
que far para atend-lo.
Dica: Pesquise informaes em rgos
como o IBGE, na internet, ou mesmo
fazer uma pesquisa por conta prpria.
(Procure um modelo de questionrio para
suas pesquisas).
c) Fornecedores
Fale sobre as empresas escolhidas
para fornecer a matria-prima para a
fabricao do produto ou para o desenvolvimento
do servio. Cite tambm os
fornecedores de mquinas, equipamentos
e outros materiais. Diga onde estas empresas
esto localizadas, porque foram
escolhidas, quais os pontos fracos e fortes
de cada uma, qual o nvel de qualidade
dos produtos.
Muita ateno na escolha do fornecedor.
Eles afetam diretamente na qualidade
dos produtos/servios e no bom desempenho
do empreendimento.
d) Concorrncia
Informe aqui quais so os principais
concorrentes, onde esto localizados,
quais so os pontos fortes e fracos de cada
um e qual  o espao que os produtos/
servios do empreendimento ocupam
no mercado.
Quais as vantagens e desvantagens
que eles tm em relao ao produto/
servio oferecido pelo empreendimento?
Como distribuem e anunciam os produtos/
servios?
Economia Solidria e Trabalho  35
Fontes P Como montar cooperativas populares  passo a passo
para a legalizao de cooperativas, elaborado por Sandra Mayrink
Veiga e revisto e modificado por Jos Celso Carbonar, in: Mance,
Euclides (org.); Como organizar redes solidrias, e Cooperativismo
 uma revoluo pacfica em ao, de Sandra M. Veiga e Isaque
Fonseca e Associaes  como constituir sociedades civis sem fins
lucrativos, de Sandra M. Veiga e Daniel Rech.
11CA04T15P1 16.01.07 18:49 Page 35
TEXTO x
 Economia Solidria e Trabalho 36
Convvio social
As palavras cooperao e cooperar
no so estranhas. Voc j deve ter
cooperado alguma vez com um
doente, mendigo ou com algum trabalho
em comunidade. Voc tambm j deve ter
solicitado a colaborao de algumas pessoas
em momentos de dificuldades ou para
realizar um trabalho de interesse coletivo.
Cooperar  agir em comum ou individualmente
de forma solidria; quando
todos ajudam a encontrar sadas para os
problemas, trocando idias e experincias.
A cooperao acontece quando um
grupo contribui com suas energias para a
realizao de tarefas de interesse comum.
A base da cooperao  a vida em
grupo, nele aprendemos a cooperar. A
cooperao substitui a dominao e faz
aparecer a responsabilidade e o equilbrio.
Numa comunidade, a partir dos interesses
das pessoas, elas podem cooperar mais
com determinado grupo do que com outro.
Por isso, devemos entender que cada
grupo tem sua importncia e que devemos
respeitar a identidade de cada um.
A cooperao e o individualismo
A vida em cooperao  um aprendizado.
Tem gente que tem muita dificuldade
de conviver com outras pessoas, se essas
tivessem poder, decidiriam as coisas
sozinhas e da sua maneira. Essas pessoas
ainda tm um grau de individualismo
muito grande. O individualismo est presente
na histria do cooperativismo.
Antigamente as pessoas eram mais
isoladas, distantes e fechadas em seus
lares, ningum queria participar de nada,
era cada um na sua, no havia esforo para
se unir. O primeiro trabalho do cooperativismo
foi romper com o isolamento.
Uma maneira disfarada de individualismo
 a dependncia. H grupos de cooperados
que deixam tudo para o coordena-
O QUE 
COOPERAO?
O individualismo  o maior
obstculo s tarefas comunitrias
12
12CA04T11P1 16.01.07 16:36 Page 36
dor realizar, achando que todos os problemas
vo ser resolvidos sem compromisso
e responsabilidade de todos. Quando os
membros de um grupo no assumem
responsabilidades, no compreendem
que as mudanas so conquistas coletivas,
acabam se afastando do grupo.
Enquanto que a pessoa que coopera sabe
dividir, gosta de agir com o grupo, 
otimista, contribui com novas idias e
chega junto com a turma. A pessoa individualista
tem dificuldade de contribuir,
dar, repartir e dividir. O individualista
pensa que s os melhores vencem.
Voc j ouviu o dito:  tempo de
murici, cada um por si. O que voc acha
da frase?
Economia Solidria e Trabalho  37
Participantes de mutiro da casa prpria realizado aos domingos na Vila Curu, periferia de So Paulo.
Extrado e adaptado do texto: Curso Bsico de Cooperativismo da
Incubadora Tecnolgica de Cooperativas Populares e Autogesto
da Universidade Federal do Cear.
Foto: Vidal Cavalcante / AE
12CA04T11P1 16.01.07 16:37 Page 37
Que coisa  essa de cooperativa que as
pessoas andam falando por a?
Cooperativa  a unio de pessoas para
criar um tipo de empresa que pertence
a todos os associados. A cooperativa
 formada pela cooperao de seus
scios.  a cooperao e o trabalho de todos
os scios unidos para um nico objetivo.
E agora? Voc quer construir uma cooperativa
com seus companheiros? Que tipo
de cooperativa voc quer construir?
Tipos de cooperativa
So muitos os tipos de cooperativa, vamos
conhecer os bsicos:
A  Cooperativa de crdito
Empresta dinheiro aos seus scios com juros
menores que os do mercado, para que possam
produzir mais ou implementar alguma
nova atividade.  organizada com base na
poupana de seus cooperados.
B  Cooperativa de consumo
So as que distribuem produtos ou servios
aos seus scios, buscando as melhores condies,
os melhores preos e a melhor qualidade.
Na maioria dos casos so iniciativas
de consumidores urbanos que se organizam
para fazer compras comunitrias (alimentos,
roupas, eletrodomsticos, etc.) diretamente
dos produtores, evitando os intermedirios.
C  Cooperativas habitacionais
Existem trs tipos:
1  As formadas por pessoas que se renem
com o objetivo de construir casas em mutiro.
Elas tm durao determinada, at o
ltimo scio ter a sua casa.
2  As que so formadas por grupos de profissionais,
tcnicos e trabalhadores da construo
civil, que constroem casas para si e
para o pblico em geral.
3  As que se dedicam ao financiamento da
O que  cooperativismo?
TEXTO 13
 Economia Solidria e Trabalho 38
RECEITA DE
ORGANIZAO
Cooperativismo  uma forma de organizao democrtica que congrega
pessoas para realizar um empreendimento que gere trabalho e renda,
direcionado para melhorar a qualidade de vida das pessoas envolvidas.
13CA04T12P1 16.01.07 16:54 Page 38
construo de casas para scios ou para
outras pessoas que o desejarem.
D  Cooperativa educacional
 organizada por professores, por pais de
alunos ou por professores e pais de alunos
juntos. Tem por objetivo organizar seus
associados de modo a gerenciar e promover
a educao de seus alunos/filhos de
forma cooperativista.
E  Cooperativa de produo
So as que tm como objetivo transformar
bens e produtos a partir da mo-de-obra de
seus cooperados. Dentre elas se destacam:
as cooperativas agropecurias; de pesca; de
artesanato; de costura; de apicultura, etc.
Essas cooperativas vendem seus produtos
diretamente ao consumidor ou aos grandes
centros de distribuio e atacadistas, evitando
os intermedirios. Podem tambm oferecer
servios na rea de produo, pesquisa,
assistncia tcnica, administrativa, social e
educacional aos seus cooperados.
F  Cooperativa de trabalho
So agrupamentos de trabalhadores de
uma ou mais profisses, que oferecem
suas atividades profissionais ao mercado
de trabalho. O objetivo  colocar a mode-
obra dos seus scios de maneira mais
vantajosa e negociar preos de forma
organizada, sem interveno de patres
ou empresrios.
Economia Solidria e Trabalho  39
Foto: Monalisa Lins / AE
Cooperativas podem atuar nos mais diversos campos. Na foto, integrantes
da cooperativa de costureiras em Santo Andr (grande So Paulo).
13CA04T12P1 16.01.07 16:54 Page 39
Princpios do cooperativismo
Princpios so normas que orientam
nossas aes.  um compromisso assumido
por meio de uma relao de confiana ou
de forma regulamentada.
O cooperativismo  uma ao coletiva,
tendo alguns princpios baseados em valores
morais, culturais e sociais.
P Primeiro princpio
Livre acesso e adeso voluntria
As cooperativas so organizaes voluntrias
abertas a todas as pessoas dispostas
a utilizar os servios e aceitar as responsabilidades
inerentes  sua condio de
associado, sem discriminao de gnero,
raa, classe social, posio poltica ou religiosa.
Apesar da adeso ser livre e consciente,
o profissional deve satisfazer as
necessidades do mercado. Aderir  comprometer-
se,  participar,  transformar-se.
P Segundo princpio
Controle, organizao e gesto democrtica
As cooperativas so organizaes democrticas
controladas pelos seus membros,
os quais participam ativamente da
definio de suas polticas e na tomada de
decises. Homens e mulheres, eleitos para
representar a sua cooperativa, res- pondem
por suas responsabilidades, frente aos associados.
Nas cooperativas, os associados tm
igual direito de voto (um associado, um
voto). Ao associar-se a uma cooperativa, o
cooperado torna-se dono do capital e autogestor
dos negcios. Todos os associados
so solidrios nas suas responsabilidades
como membros da cooperativa, nos ganhos
e nas perdas.
P Terceiro Princpio
Participao econmica dos seus associados
Os associados contribuem de maneira
eqitativa e controlam de maneira democrtica
o capital da cooperativa. Usualmente,
recebem uma compensao limitada, se
for possvel, sobre o capital subscrito como
condio de fazer parte da cooperativa. Os
associados contribuem com a cooperativa,
distribuindo as sobras existentes prioritariamente
da seguinte maneira:
1. no desenvolvimento da cooperativa por
meio da criao de reservas, as quais, pelo
menos uma parte, deve ser indivisvel;
2. beneficiando os associados em proporo
s suas transaes com a cooperativa; e
3. no apoio a outras atividades da cooperativa,
segundo deciso da assemblia
dos associados. A Assemblia Geral
dever distribuir as sobras segundo as
operaes que cada associado manteve
com a cooperativa durante o ano.
P Quarto princpio
Autonomia e independncia
As cooperativas so organizaes autnomas,
de ajuda mtua, controladas por seus
associados. Caso entrem em acordo com
outras organizaes (inclusive governos) ou
busquem capital de fontes externas, devem
Texto 13 / O que  cooperativismo?
 Economia Solidria e Trabalho 40
13CA04T12P1 16.01.07 16:54 Page 40
realizar essas iniciativas somente na medida
em que possa ser assegurado o controle
democrtico por parte dos associados, mantendo
a autonomia da cooperativa.
P Quinto princpio
Educao, capacitao e informao
As cooperativas devem oferecer educao e
capacitao a seus associados, dirigentes eleitos,
gerentes e empregados, de tal maneira
que contribuam eficazmente no desenvolvimento
de suas cooperativas. As cooperativas
informam tambm ao pblico em geral  principalmente
aos jovens e aos formadores de
opinio  sobre a natureza e os benefcios do
cooperativismo. Como donos, os cooperados
tm de estar preparados para geri-la e
como trabalhadores tm de estar constantemente
se reciclando para que venham a ser
os melhores da rea.
P Sexto princpio
Cooperao entre cooperativas
As cooperativas servem aos seus associados
e fortalecem o movimento cooperativista
trabalhando de maneira conjunta por
meio de estruturas locais (centrais), regionais
(federaes), nacionais (confederaes)
e internacionais. Este princpio lhes
proporciona fora poltica e econmica de
vital importncia para sua sobrevivncia.
P Stimo princpio
Compromisso com a comunidade
A cooperativa trabalha para o desenvolvimento
sustentvel da sua comunidade
por meio de polticas definidas por seus
associados.
Economia Solidria e Trabalho  41
Foto: Leonardo Rodrigues / AE
Cooperado opera embaladeira de leite em cooperativa de indstria de laticnios em So Pedro/SP.
Extrado e adaptado do texto Curso Bsico de Cooperativismo da
Incubadora Tecnolgica de Cooperativas Populares e Autogesto
da Universidade Federal do Cear.
13CA04T12P1 16.01.07 16:54 Page 41
Asociedade cooperativa funciona por
meio de um princpio chamado de
autogesto, que  a gerncia da cooperativa
pelos prprios cooperados. Isso
significa que eles tomam decises e controlam
permanentemente a cooperativa.
O objetivo principal da autogesto 
o desenvolvimento econmico e social da
cooperativa, sendo que cada cooperado 
responsvel pelas decises.  ele que, como
dono e usurio da sociedade, define
como quer que os servios sejam prestados.
Porm, para que possa decidir corretamente,
precisa estar preparado para
participar das decises.
A assemblia geral dos associados
As decises so tomadas nas reunies
gerais dos cooperados, chamadas de assemblia
geral. Ela  o rgo supremo, com
poderes para tomar toda e qualquer deciso,
dentro dos objetivos da cooperativa.
A assemblia geral  o encontro onde
so discutidas as grandes questes e tomadas
as grandes decises;  a oportunidade
em que se manifesta, na prtica, o carter
democrtico da cooperativa: pelo voto.
A Assemblia Geral  comumente convocada
e presidida pelo presidente da cooperativa.
Mas tambm pode ser convocada:
 Por 1/5 dos associados, quando o presidente
no atender  solicitao dos
associados.
 Pelo Conselho Fiscal, se ocorrerem motivos
graves e urgentes.
O princpio de funcionamento
da cooperativa
Organizao social
TEXTO 14
 Economia Solidria e Trabalho 42
AUTOGESTO AUTOGESTO
Foto: Srgio Castro / AE
Trabalhadores de cooperativa
de motoristas e cobradores
votam em assemblia geral
14CA04T13P1 16.01.07 17:01 Page 42
Tipos de assemblia
Assemblia geral ordinria
Realizada, obrigatoriamente, uma vez
por ano, dentro dos trs primeiros meses
aps o final do exerccio social. Nessa ocasio
so apresentados, discutidos e aprovados
assuntos especficos como:
 Prestao de contas da Diretoria.
 Eleger ou destituir os membros do Conselho
de Administrao (Diretoria) e do
Conselho Fiscal.
 Dar a destinao s sobras lquidas;
 Fixar o pr-labore ou verba de representao
para o presidente.
 Outros assuntos desde que constem no
Edital de Convocao.
As deliberaes da Assemblia Geral
Ordinria devem ser aprovadas pela maioria
simples (metade mais um) dos votos
dos presentes.
Assemblia geral extraordinria
Realizada a qualquer momento, desde
que haja necessidade. Nesses casos, so
tratados assuntos como:
 Reforma do Estatuto Social.
 Contratao de emprstimos que dependem
da onerao (empenho) dos
bens imveis (prdio, terrenos, etc.) da
cooperativa.
 Fuso, incorporao ou desmembramento
(diviso) da cooperativa; mudana
do objeto da cooperativa.
Economia Solidria e Trabalho  43
Com relao s assemblias,
a lei determina e deve
constar nos Estatutos que:
 a Assemblia Geral deve ser convocada com
antecedncia mnima de dez dias, por meio de
Edital de Convocao (avisos), fixados nos
locais mais freqentados pelos associados e
publicados em jornal de grande circulao;
 para que seja instalada em primeira convocao,
 necessrio que haja quorum, ou seja,
 necessria a presena de pelo menos 2/3
(dois teros) dos associados;
 no sendo realizada em primeira convocao,
pode ser realizada em segunda ou terceira
convocao e no mesmo dia da primeira, com
um intervalo mnimo de uma hora entre elas,
desde que o Estatuto permita e conste no respectivo
edital de convocao;
 para a instalao da segunda convocao 
necessria a presena da metade mais um dos
associados. J em terceira e ltima convocao,
com no mnimo dez associados.
 Deciso sobre a dissoluo da sociedade.
 Deciso sobre qualquer assunto relativo
 cooperativa, que no seja regulamentado
pelo Estatuto, desde que conste
no Edital de Convocao.
As deliberaes da Assemblia Geral
Extraordinria so aprovadas pelos votos de
2/3 (dois teros) dos associados presentes.
1
2
Extrado e adaptado do texto: Curso Bsico de Cooperativismo da
Incubadora Tecnolgica de Cooperativas Populares e Autogesto
da Universidade Federal do Cear.
14CA04T13P1 16.01.07 17:01 Page 43
VALORES
CONVERGENTES
Nos primrdios do capitalismo, as
relaes de trabalho assalariado
levaram a tal grau de explorao
do trabalho humano que os trabalhadores,
mulheres e homens, comearam a organizar-
se em sindicatos, associaes e
cooperativas como forma de defender e
conquistar direitos e ter uma alternativa
 explorao.
Entretanto, o capitalismo transformou
tudo, inclusive o trabalho humano, em
mercadoria. As demais formas de produo
(comunitrias, artesanais, individuais,
familiares, cooperativadas, etc.) passaram
a ser tratadas como atrasadas.
A atual crise do trabalho assalariado
derruba de vez a idia capitalista de transformar
tudo e todos em mercadorias. Milhes
de trabalhadores perdem seus empregos,
amplia-se cada vez mais o trabalho
precrio, sem garantias de direitos. Assim,
as formas chamadas atrasadas, que,
deveriam ser reduzidas, aumentam. Claro,
pois  preciso absorver todos os desempregados,
e hoje eles constituem mais de 50%
dos trabalhadores.
Nesse cenrio surge a Economia Solidria,
que, de imediato, propicia a sobrevivncia
e a melhora da qualidade de vida
de milhes de pessoas em diferentes
partes do mundo. As experincias, baseadas
nas mais diferentes prticas de reciprocidade,
como as dos povos indgenas
de diversos continentes e os princpios do
cooperativismo, foram aperfeioadas e
recriadas de acordo com as caractersticas
de cada povo e de cada lugar.
Apesar dessa diversidade, h vrios
pontos de convergncia como:
 A valorizao social do trabalho humano.
 A satisfao plena das necessidades de
todos.
 O reconhecimento do lugar fundamental
da mulher e numa economia fundamentada
na solidariedade.
 A busca de uma relao de respeitosa com
a natureza.
 A valorizao da cooperao e da solidariedade.
 Os valores centrais da Economia Solidria
Economia solidria
TEXTO 15
 Economia Solidria e Trabalho 44
Cooperao e respeito
so a base da
Economia Solidria
15CA04T14P1 16.01.07 17:05 Page 44
so o trabalho, o saber e a criatividade
humana e no o capital-dinheiro.
 A Economia Solidria busca outra qualidade
de vida e de consumo, e isso requer
a solidariedade entre os povos de
todo o mundo.
Economia Solidria e Trabalho  45
Texto editado e adaptado por Pgina Viva a partir de
http://www.coordinationsud.org/Abong1/article.php3?id_article=152
Pesca de tainha na praia do Santinho, em Florianpolis, SC. Nessa forma tradicional de pesca, qualquer
pessoa pode ajudar a puxar a rede, recebendo em troca de sua colaborao uma parcela do peixe capturado.
Exemplo de colaborao
Foto: Ricardo Mori
15CA04T14P1 16.01.07 17:05 Page 45
1 No renovao de 1/3 do Conselho
de Administrao, perpetuando
grupos de poder.
2 No renovao de 1/3 do Conselho
Fiscal, perpetuando conivncias
fiscais junto com o grupo de
poder.
3 No formao do Fundo de Reservas
 FR e do Fundo de Assistncia
Tcnica, Educacional e Social 
FATES.
4 No aplicao correta do Fundo
de Assistncia Tcnica, Educacional
e Social  FATES, em benefcio dos
cooperados.
5 Assemblias Gerais viciadas e lesivas,
produzindo decises nocivas
 sociedade.
6 Dirigentes que colidem com os
interesses da sociedade.
7Atos cooperados entre cooperativas
dirigidas pelo mesmo grupo,
em que numa o presidente  A e o
vice-presidente  B e na outra cooperativa
temos o inverso, o presidente 
B e o vice-presidente  A.
8 No distribuio das Sobras Lquidas,
nem respeito  proporcionalidade
em seu rateio quando existe.
9 Induo da no consolidao das
Sobras Lquidas, para no ter que
se proceder a distribuio das mesmas,
criando artifcios contbeis para sangria
dos recursos sobrantes por
meios desonestos.
10 No distribuio das sobras de
contratos aos cooperados que
neles trabalharam.
11Seleo de prestadores de servios
s cooperativas por aceitao
de comisses, admitidas e
COOPERATIVAS
PROBLEMAS MAIS GRAVES COM A LEGISLAO
Leis e regras
TEXTO 16
 Economia Solidria e Trabalho 46
16CA04T16P1 12/14/06 11:59 PM Page 46
embolsadas pelos dirigentes, contratando
servios sem a seleo pelo trinmio:
Menor Preo x Melhor Qualidade
x Suporte mais profissional no
ps venda, e com base em 3 oramentos
ou propostas legtimas de prestao
de servios.
12 Empresas de fachada, ou mesmo
maquiadas, em nome de
dirigentes emitindo notas fiscais frias,
que no correspondem a nenhum servio
concretamente prestado  cooperativa,
para absorver os recursos sobrantes
e promover o desvio do dinheiro
da sociedade. Estas cooperativas
apresentam quase sempre prejuzos
suportveis. H, inclusive, emisso
de notas fiscais superfaturadas.
Presena de grandes probabilidades
de sonegao fiscal.
13 Ausncia proposital da promoo
da Educao Cooperativista
e das Prticas Operacionais da Rotina
da Cooperativa, segundo as leis
aplicveis, de modo a manter hegemonia
de gesto e de domnio, sobre os
demais cooperados leigos.
14 Enriquecimento acelerado de
dirigentes, em 2 ou 3 anos,
por procedimentos no ticos, onde se
acumulam grandes patrimnios, ao
passo que a sociedade mantm-se em
regime recessivo ou de prosperidade
tmida. Presena de grandes probabilidades
de sonegao fiscal.
15 Dirigentes embolsando as comisses
de venda, de contratos,
que so fechados em nome da
sociedade, em que recursos da cooperativa
foram utilizados comercialmente
para fins de desenvolvimento de
negcios. Inevitavelmente os pedidos
de servios, ou trabalho, so canalizados
para ao executiva dos dirigentes
que j so remunerados, por parte dos
demais scios cooperados, para gerenciar
a cooperativa. Tal comissionamento
deveria ser aplicvel s aes
comerciais de qualquer cooperado, o
qual tem direito de negociar, tambm,
os servios da cooperativa e ter seu
devido comissionamento com as vendas
de servios.
16 Transformao da cooperativa
em agncia de emprego
em que dirigentes fazem o agenciamento
de mo-de-obra em condies
desfavorveis aos cooperados, nos
processos de terceirizao, ou de
prestao de servio, impondo condies
extremas de abuso ao traba-
Economia Solidria e Trabalho  47
16CA04T16P1 12/14/06 11:59 PM Page 47
lho. So cooperativas que transgridem
as leis aplicveis.
17 Abertura de cooperativas por
empresas: indstria, servios e
escritrios, com o nico objetivo de
reduo do custo Brasil, escapando
do excesso de imposto e taxas incidentes
nas empresas mercantis, mas que
se tornam cooperativas que transgridem
as leis aplicveis.
18 Negligenciamento  assistncia
securitria e previdenciria
dos scios cooperados pela no
constituio de um Sistema mnimo de
Amparo aos mesmos, que propiciaria
uma maior segurana social, com o
uso de fundos adequados. Em alguns
casos, parte do Sistema de Benefcios,
quando existente, abrange certos
benefcios incuos e que possuem
custo representativo que onera a carga
de despesas da cooperativa, sem reciprocidade.
19 Contumaz busca do anonimato,
em que dirigentes promovem
a operao da cooperativa em
endereos de camuflagem, para
fugir das fiscalizaes dos poderes
pblicos constitudos, de modo a manter
o status quo das atividades e preservar
interesses fora dos objetivos e
dos princpios do Cooperativismo.
20 A no devoluo da cotaparte
do capital social ao scio-
cooperado que saiu dos quadros da
cooperativa.
Texto 16 / Leis e regras
 Economia Solidria e Trabalho 48
COOPERADO, VERIFIQUE SE
SUA COOPERATIVA EST ISENTA
DESTAS OCORRNCIAS!
Fonte P Mdia Independente
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/06/29908.shtml
 livre a reproduo para fins no comerciais, desde que o
autor e a fonte sejam citados e esta nota seja includa.
16CA04T16P1 12/14/06 11:59 PM Page 48
Para a grande assemblia de bichos, chegaram
representantes de toda parte.
Queriam conhecer e falar com o
Grande Esprito, criador e mantenedor da
vida. Pensando que a reunio poderia
demorar vrios dias, cada um trouxe comida
dentro de um pote de barro. Tinha todo
tipo de pote: pintado, com alas, com
tampa, sem tampa, redondo, oval, com
desenhos, simples.
Os bichos puseram-se a rezar e refletir,
mas nada do Grande Esprito. Passou
tempo. Deu fome. Cada um se dirigiu para
o seu pote. A ona s tinha trazido piracu,
a cutia s pimenta, o jacar s tucupi, o
macaco s farinha, o veado s trouxe gua
e assim por diante. Cada um se satisfez e
voltaram a rezar e a refletir. Continuaram
assim durante trs dias. Estavam cansados
de esperar, cansados de comer sempre a
mesma coisa e comearam a se irritar uns
com os outros. At duvidaram do Grande
Esprito, pois este no aparecia.
No terceiro dia, o filhote da ona foi
brincar com o filhote da cutia e disse:
 Vamos misturar a pimenta de vocs
com o nosso piracu
Dito e feito. Foi to gostoso! Eles ficaram
alegres e os outros filhotes chegaram
com farinha, tucupi, gua
As mes, vendo aquilo, em dois tempos
arrumaram uma grande mesa, onde todos
os potes de comida foram colocados. Todo
mundo veio e fizeram o maior banquete,
bonito e alegre. Nesse dia, nesse banquete,
conheceram o Grande Esprito.
Uma fbula em que personagens
bichos servem de bom exemplo
para os homens
Sistemas cooperativos
TEXTO 17
Extrado e adaptado da Cartilha da Rede Fitovida, publicada no site
www.midiaindependente.org
O BANQUETE
Economia Solidria e Trabalho  49
17CA04T23P1 12/14/06 11:50 PM Page 49
Quem chega a Picos, cidade encravada
no centro do Piau, no Semi-rido,
no imagina o quanto  doce e nobre
o trabalho que por l se desenvolve. O calor
na estiagem  entre junho e novembro  freqentemente
atinge picos (trocadilho inevitvel
com o nome da cidade) superiores a
40C. Muita gente pode achar que nada
resiste a tal temperatura. Engano. Poucos
sabem, mas hoje a regio  a maior produtora
de mel do pas e responde por mais de
90% do mel produzido no Piau.
Desde meados da dcada de 1970, os
pequenos agricultores de Picos j se dedicavam
 apicultura, vendendo a produo
para empresas. Famlias cultivavam abelhas
de maneira rstica, sem se preocupar
com conhecimentos tcnicos ou possibilidade
de tornar o negcio mais profissional
e lucrativo.
Com o PROMEL (Projeto Nordeste de
Gerao de Trabalho e Renda e de Promoo
do Desenvolvimento Regional Sustentvel
com Foco na Cadeia Produtiva do
Mel), o panorama mudou. Sua primeira
ao  a implementao da CASA APIS
(Central de Cooperativas do Semi-rido),
que abrange Picos e mais 30 cidades de
Pernambuco, Piau e Cear.
A empreitada visa basicamente a orientar
a organizao dos produtores para melhorar
produo e renda. O diferencial do
DOCE FUTURO NO SERTO DO PIAU
No Semi-rido, o Projeto PROMEL aperfeioa
atividade que j existia rusticamente  apicultura
Produo conjunta
TEXTO 18
 Economia Solidria e Trabalho 50
18CA04T19P1 21.01.07 21:38 Page 50
projeto  sua concepo ao avesso, como
o apicultor Waldin de Moura explica: 
da base para cima, ns  que decidimos
tudo.
No foi fcil. Como bem diz Waldin,
a cultura do serto  individualista, na
seca vale o salve-se quem puder. As
principais figuras que andam recriando
as cores do serto so os Agentes de
Desenvolvimento Regional, pessoas que
pertencem  comunidade, com trnsito e
dilogo fcil entre os apicultores. No
projeto trabalham 11 deles, atendendo
em torno de 500 famlias. Tiveram cursos,
treinamento; e, capacitados, espalham
o que sabem.
De jegue motorizado
Visitando famlias, acompanhando o
trabalho, dando cursos e palestras, os
agentes incentivam prticas aparentemente
simples, mas muito eficazes. O resultado?
A produo aumentou em quantidade
e qualidade. Hoje, a maioria das
famlias participantes extrai do mel a principal
fonte de renda.
Toda semana o agente e apicultor
Dionsio de Souza monta em seu jegue
motorizado (a moto  o jegue do novo
serto) e vai visitar o pessoal de So Joo
da Canabrava. Depois de muito trabalho,
Dionsio viu a produo de sua regio aumentar.
De acordo com ele, a cultura dos
apicultores muda gradativamente, de
acordo, inclusive, com o nvel de preservao
do meio ambiente: Ns precisamos
da natureza, sem ela as abelhas
passam fome, diz.
Na poca das chuvas, de dezembro a
maio, a florada da caatinga  variada, propcia
para as abelhas  e para os apicultores.
Conservar esse ecossistema  bsico,
as pessoas agora sabem que prticas
ecologicamente corretas garantem boas
safras e bons lucros.
Economia Solidria e Trabalho  51
Extrado de Brasil: Almanaque da Cultura Popular. Ano 7, n. 81,
dezembro de 2005.
18CA04T19P1 16.01.07 17:16 Page 51
Conselho de administrao ou diretoria
Diz a Lei 5.764/71: A cooperativa 
administrada por um Conselho de Administrao
ou Diretoria, composto exclusivamente
de associados, com mandato
nunca superior a quatro anos.  obrigatria
a renovao de, no mnimo, 1/3 (um
tero) dos seus componentes, ao final de
cada mandato.
Do Conselho de Administrao sero
indicados os membros da Diretoria Executiva,
composta de tantos participantes
quantos forem estabelecidos na estrutura
organizacional da sociedade, tendo as suas
atribuies estabelecidas no estatuto da
cooperativa.
Quem so os Membros do Conselho?
Normalmente, dependendo de cada cooperativa,
os membros so: o presidente, o vicepresidente,
o secretrio e os conselheiros.
Quais as principais Funes do
Conselho de Administrao?
Programar os planos de trabalho e os
servios da cooperativa.
 Elaborar o oramento anual e estabelecer
normas administrativas e financeiras.
 Contratar o gerente e o contador e
designar o diretor executivo, se for o caso.
 Deliberar sobre a entrada e a sada de
associados, depois de ouvirem a Comisso
de tica.
 Fazer cumprir a legislao cooperativa,
trabalhista e fiscal e as determinaes
do Estatuto e da Assemblia Geral.
 Definir as funes de seus membros.
Conselho fiscal
 o rgo encarregado de fiscalizar a
administrao da cooperativa.  formado
por seis elementos associados, sendo trs
efetivos e trs suplentes, eleitos pela
Assemblia Geral para um perodo de um
ano, sendo permitida a reeleio de apenas
dois membros.
Suas principais funes so:
 Promover a verificao das contas da
administrao, examinando e dando
parecer nas prestaes de conta da sociedade.
 Examinar livros, documentos, balanos,
balancetes e reclamaes dos associados.
Organizao social
TEXTO 19
 Economia Solidria e Trabalho 52
1
2
A ADMINISTRAO
DE
UMA
COOPERATIVA
19CA04T18P1 16.01.07 18:58 Page 52
 Verificar o cumprimento das leis fiscais,
trabalhistas e cooperativistas.
 Convocar o gerente, o contador e o
Conselho de Administrao para esclarecimentos,
quando necessrio(s).
 Participar ativamente dos trabalhos
da cooperativa.
Gerncia da Cooperativa
A gerncia  um rgo que pode
existir ou no na administrao da cooperativa.
Quando a Assemblia Geral decide
pela sua existncia, a gerncia executa as
decises do Conselho de Administrao.
O gerente  nomeado pelo diretor executivo
ou presidente, se for o caso, e 
apenas um empregado, pois se no for do
interesse da cooperativa mant-lo, poder
ser dispensado a qualquer tempo.
A gerncia deve cumprir as seguintes
funes:
 Assessorar a diretoria executiva.
 Organizar com o assessoramento do
contador as rotinas dos servios contbeis,
determinar pagamentos e recebimentos,
admitir e demitir empregados.
 Distribuir, gerir, coordenar e controlar
os trabalhos de seus auxiliares, bem
como os negcios da cooperativa.
 Preparar oramento anual para aprovao
do Conselho de Administrao.
 Informar a diretoria executiva, bem
como aos associados, o desenvolvimento
das atividades da sociedade cooperativa.
O gerente, assim como o contador, so
peas-chave para o sucesso da cooperativa.
Eventualmente, o gerente pode ser
um scio que, nestas condies, perde o
direito a votar na Assemblia Geral e a ser
candidato a cargos eletivos.
Assessoria tcnica
Quando necessria,  contratada
fora dos quadros da cooperativa e
funciona junto ao Conselho de Administrao
e aos associados, assessorando na
elaborao do planejamento, na contratao
e aplicao de linhas de crdito,
na definio e uso de tecnologias necessrias
ao funcionamento da cooperativa,
e no acompanhamento, avaliao e
controle da execuo do plano de ao
anual. Tambm pode ter participao
importante na elaborao e execuo
das diversas formas de capacitao da
cooperativa.
As Universidades da Rede UNITRABALHO
oferecem apoio para a criao e
consolidao de cooperativas por meio
das Incubadoras de Empreendimentos
Solidrios.
Economia Solidria e Trabalho  53
3
4
Texto produzido pela Fundao Unitrabalho.
19CA04T18P1 16.01.07 18:59 Page 53
Ante el fracaso socioeconmico del
modelo capitalista y comunista, hay
quien ha formulado alternativas
cientficas, modelos econmicos rigurosos
para sustituir y mejorar un sistema
que no respeta al hombre
ni a la naturaleza. El peligro
de sobreexplotacin
del planeta y el control
del poder econmico
en manos de unos
pocos nos lleva indiscutiblemente
hacia la
pobreza, no slo econmica
sino tambin
humana. Y cuando un
modelo roza el extremo de
su necesidad de dar la vuelta a
aquello que no funciona; a estos movimientos
se les tilda de irrealizables por lo
utpico, pero son el camino para que se
produzca la verdadera evolucin.
Presentamos en este artculo algunas iniciativas
actuales que basan su hacer y existencia
en una alternativa econmica y social
que site al ser humano en el lugar que
le corresponde.
Son propuestas socioeconmicas de
vanguardia que van desde modelos econmicos
como la Empresa Integrada a estructuras
concretas como la Red de Economa
Solidaria, las empresas basadas en el
Comercio Justo o los Clubs de Trueque.
Intentos que basan sus principios y funcionamiento
en el respeto al ser humano, el
entorno y la armonizacin de
intereses. Devolviendo el
poder de decisin y gestin
a la persona, integrando
a sus miembros
para recuperar el
derecho de autogestin
y, por tanto, la
libertad y la conciencia
de que es posible
crear y evolucionar en
sinergia con los dems y
la naturaleza.
La Empresa Integrada
La Empresa Integrada es un modelo
socioeconmico integral y humanista
revolucionario (economa solidaria) que
nos ha legado el espaol Jos Luis Montero.
l ha trabajado 35 aos para sintezar
un sistema que corrigiese los errores del
actual modelo socioeconmico, adecuado
para el ser humano y coherente con la
forma en que la naturaleza ha concebido
la apropiacin de recursos.
CONSTRUYENDO UNA OTRA ECONOMA
Mar Lana
Economia alternativa
TEXTO 20
 Economia Solidria e Trabalho 54
20CA04T20P1 12/14/06 11:18 PM Page 54
La economa solidaria  quiere promover un
desarrollo duradero integrando las necesidades
de las generaciones actuales y futuras.
Est basada en la tolerancia, la libertad, la
democracia, la transparencia, la equidad y la
apertura hacia el mundo.
Tiene como objetivo favorecer la expansin de
cada ser humano y permitir que cada uno
equilibre lo mejor posible, a lo largo de su
vida, el tiempo dedicado a la formacin, a una
actividad remunerada, al voluntariado y a la
vida familiar o personal.
La economa solidaria participa concretamente
en la lucha contra las causas de la exclusin
y la pobreza y no nicamente sobre sus
consecuencias.
Para que nadie pierda su condicin
de ser que decide, en la Empresa Integrada
todos los miembros son socios de la
misma. Ahora el fundamento del poder
empresarial est en el riesgo o grado de
responsabilidad y compromiso que cada
uno asume, no en la propiedad de los
medios. Ejerciendo el poder de decisin la
persona o comunidad a quien afecte el
problema, de tal manera que el que arriesga
o se involucra, decide.
()
Slo una revolucin convincente,
libre y eficaz puede ser digna del ser
humano. Hoy se habla de libertad, pero
la primera liberacin que el hombre necesita
es liberarse del poder de las cosas.
GLOSARIO
Arriesgar. arriscar
Errores. erros
Hablar. falar
Hacia. prep. em direo a
Involucrar. envolver
Nadie. ningum
Quitar. tirar
Riesgo. risco
Rozar. roar
Sinerga. sinergia, esforo ou ao
conjunta, cooperao
Sino. conj. mas
Slo. somente, unicamente
Tildar. acentuar, marcar
Trueque. troca, permuta
http://www.enbuenasmanos.com
http://www.reasnet.com/adh/mundo.htm
Economia Solidria e Trabalho  55
Es posible un mundo solidario?
20CA04T20P1 12/14/06 11:18 PM Page 55
Homens com tochas espantam animais que so abatidos pelos outros caadores.
Ao longo da Histria, os homens criaram
vrias formas de sobrevivncia
de acordo com as suas necessidades
e o meio em que viviam, at chegar ao estgio
atual da nossa sociedade. Uma caracterstica
foi fundamental para a nossa sobrevivncia:
a cooperao.
O trabalho em cooperao desenvolveu
o pensamento e a fala, permitindo a
evoluo cada vez maior do homem. Esse
processo levou milhares de anos.
O trabalho humano comea com a
fabricao de instrumentos. Inicialmente
os instrumentos eram feitos de ossos,
pedra e madeira. Bem mais tarde foram
descobertos os metais.
O ser humano sempre dependeu da
companhia e da ajuda dos seus semelhan-
TRABALHO E COOPERAO
NA ORIGEM DO SER HUMANO
Desenvolvimento social
TEXTO 21
 Economia Solidria e Trabalho 56
21CA04T17P1 12/14/06 11:05 PM Page 56
Economia Solidria e Trabalho  57
tes para poder sobreviver. No incio, o que
era necessrio para se viver, era conseguido
principalmente atravs da coleta de
frutos, razes e da caa e pesca de animais,
que era feita e partilhada por todos.
O sucesso dos que faziam a caa
dependia da inteligncia e destreza
manual, bem como da capacidade de trabalhar
em conjunto e confiar uns nos
outros.
Durante milhares de anos, os homens
viveram como nmades, circulando pelos
lugares em busca de alimento. Com a
descoberta da agricultura alguns grupos
puderam se fixar numa regio e por l
permanecer, tendo condies de produzir
mais alimentos, atravs da irrigao e de
outras tcnicas de plantio.
Texto produzido pela Unitrabalho para uso em atividades de
formao do Programa Nacional de Economia Solidria.
Cena tpica de uma comunidade de aproximadamente 6.000 anos atrs.
21CA04T17P1 12/14/06 11:06 PM Page 57
SOCIAL ECONOMY
Movimentos sociais privados
TEXTO 22
 Economia Solidria e Trabalho 58
SECTOR IN
ECONOMIES
RD A3
22CA04T24P1 12/14/06 10:49 PM Page 58
Economies may be considered to have
three sectors:
1The business private sector, which is
privately owned and profit motivated;
2the public sector which is owned by
the state and provides services in the
public interest;
3the social economy, that embraces a
wide range of community, voluntary
and not-for-profit activities.
Sometimes there is also reference to a
fourth sector, the informal sector, where
informal exchanges take place between family
and friends.
The third sector can be broken down
into three sub-sectors; the community sector,
the voluntary sector and the social enterprise
sector:
 The community sector includes those
organisations active on a local or
community level, usually small, modestly
funded and largely dependent on voluntary,
rather than paid, effort. Examples
include neighbourhood watch, small
community associations, civic societies,
small support groups, etc.
 The UKs National Council for Voluntary
Organizations describes the voluntary
sector as including those organizations
that are: formal (they have a constitution);
independent of government and
self-governing; not-for-profit and operate
with a meaningful degree of volunteer
involvement. Examples include housing
associations, large charities, large community
associations, national campaign
organisations, etc.
 According to the UK governments definition,
the social enterprise sector includes
organisations which are businesses
with primarily social objectives whose
surpluses are principally reinvested for
that purpose in the business or in the
community, rather than being driven by
the need to maximise profit for shareholders
and owners. Examples include
cooperatives, building societies, development
trusts and credit unions.
The social economy spans economic
activity in the community, voluntary and
social enterprise sectors. The economic
activity, as with any other economic sector,
includes: employment; financial transactions;
the occupation of property; pensions;
trading; etc.
The social economy usually develops
because of a need to find new and innovative
solutions to issues (whether they be socially,
economically or environmentally based) and
to satisfy the needs of members and users
which have been ignored or inadequately
fulfilled by the private or public sectors.
By using solutions to achieve not-forprofit
aims, it is generally believed that the
social economy has a distinct and valuable
role to play in helping create a strong, sustainable,
prosperous and inclusive society..
Fonte P Wikipedia  A Encliclopdia Livre
Economia Solidria e Trabalho  59
22CA04T24P1 12/14/06 10:49 PM Page 59
PASSO-A-PASSO
PARA ABRIR UMA
COOPERATIVA
No Brasil, para se constituir uma
cooperativa so necessrias, no
mnimo, vinte pessoas fsicas, conforme
Lei 5.764, de 16/12/1971. Essas
pessoas precisam ter um interesse econmico
em comum e, para viabilizar esse interesse,
estar dispostas a constituir um
empreendimento prprio, onde cada pessoa
tenha apenas um voto e o resultado
seja distribudo proporcionalmente  participao
de cada cooperante. Sugere-se
os seguintes procedimentos para proceder-
se a constituio e legalizao de uma
cooperativa:
Para montar uma
cooperativa, h leis que
devem ser obedecidas e
regras respeitadas.
Mas o mais importante
 haver um forte
interesse comum para
que o empreendimento
d certo.
Organizao social
TEXTO 23
 Economia Solidria e Trabalho 60
23CA04Txx_passos 16.01.07 17:33 Page 60
Economia Solidria e Trabalho  61
Fase preparatria  1
1. Reunir um grupo de pessoas interessadas
em criar a cooperativa, com as seguintes
finalidades:
P Determinar os objetivos da cooperativa.
P Escolher uma comisso para tratar das
providncias necessrias  criao da
cooperativa, com indicao de um
coordenador dos trabalhos.
2. Realizar reunies com todos os interessados
em participar, a fim de verificar
as condies mnimas necessrias
para a viabilidade da cooperativa, procurando
respostas aos seguintes questionamentos:
P A necessidade  sentida por todos os
interessados?
P A cooperativa  a soluo mais adequada?
Ou uma associao poderia ser o
primeiro passo?
P J existe alguma cooperativa nas redondezas
que poderia satisfazer aos interessados?
P Os interessados esto dispostos a entrar
com o capital necessrio para viabilizar
a cooperativa?
P O volume de negcios  suficiente para
que os cooperantes tenham benefcios?
P Os interessados esto dispostos a operar
integralmente com a cooperativa?
P A cooperativa ter condies de
contratar pessoal qualificado para
administr-la e um contador para fazer
a contabilidade da cooperativa,
que tem caractersticas especficas?
3. Participar de um curso sobre Cooperativismo:
H uma legislao a ser respeitada e
uma doutrina e princpios internacionais
a serem seguidos, para evitar o surgimento
de falsas cooperativas, que frustram o
quadro social e criam inmeros transtornos
ao movimento cooperativista.
Fase preparatria  2
A comisso elabora ou examina uma
proposta de Estatuto, contendo, entre outros,
os seguintes itens:
P Denominao, sede, foro, rea de ao,
prazo e ano social.
P Objetivos sociais.
P Associados: admisso, direitos, deveres
e responsabilidades  demisso, eliminao
e excluso.
P Regras do capital social.
Fase preparatria  3
Assemblia Geral  definio, convocao
e funcionamento; assemblia geral
ordinria; assemblia geral extraordinria
e eleies:
P Conselho de Administrao/Diretoria
P Conselho Fiscal
P Livros e Contabilidade
P Sobras, perdas, fundos e balano geral
P Disposies gerais e transitrias.
23CA04Txx_passos 12/14/06 10:21 PM Page 61
Texto 23 / Organizao social
Fase preparatria  4
A comisso realiza reunies com todos
os interessados para distribuio e discusso
da proposta de estatuto.
A comisso convoca todas as pessoas
interessadas para a assemblia geral de
constituio da cooperativa.
Realizao da assemblia geral de
constituio da cooperativa, com a participao
de todos interessados, no mnimo 20
pessoas fsicas.
Documentos necessrios para registro
na Junta Comercial (algumas exigncias
podem variar de Estado para Estado):
P Estatuto Social  3 vias
P Ata de Constituio  3 vias
P Lista Nominativa  3 vias
P Carto de protocolo
P Requerimento
P Guias bancrias: DARF e GARE
P Ficha FCN 1 (cooperativa)
P Ficha FCN 2 (cooperado)
P Xerox autenticado do CPF e RG de cada
cooperado
Dificuldades e solues mais comuns em
autogesto de empreendimentos solidrios
Dentre as dificuldades dos empreendimentos
de Economia Solidria, podem
ser citadas:
P Descapitalizao: a falta de capital
inicial para organizar empreendimentos
de produo, comrcio e servio.
P O crdito disponvel, em geral,  para
investimento fixo e no para capital
de giro.
P O crdito recebido, muitas vezes no 
disponibilizado e gerido corretamente,
acabando por desorganizar o grupo.
P Problemas com a inadimplncia e fragilidades
na dimenso tica vinculada ao
financiamento.
P A necessidade de responder a exigncias
legais que no so compatveis
com as condies da socioeconomia
solidria.
P Desconhecimento da legislao em
debate sobre cooperativismo, microempreendimentos
e temas congneres,
e pouca interferncia sobre a alterao
dessas leis.
P Desconhecimento das cadeias produtivas
nas quais os empreendimentos solidrios
esto inseridos.
P Falta de conexo dos empreendimentos
solidrios em cadeia produtiva; dificuldade
de articulao das experincias
existentes e de sua integrao econmica.
P Desorganizao na gesto do processo
produtivo, envolvendo custos, produo,
capital de giro, cobrana e aspectos
burocrticos.
P Falta de conhecimento do mercado
para definio de estratgias de produo
e comercializao.
 Economia Solidria e Trabalho 62
23CA04Txx_passos 16.01.07 17:33 Page 62
P A falta de formao bsica e capacitao
tcnica dos trabalhadores para desenvolvimento
e qualificao da produo,
gesto, marketing, etc.
P Pessoas inadequadas ocupando posies
estratgicas (administrao, organizao,
contabilidade etc.), o que dificulta
o sucesso dos empreendimentos.
P Dificuldades na contabilidade e gerao
de balanos, prejudicando a transparncia
nas finanas.
P Falta de um planejamento eficiente que
permita alcanar melhores resultados.
P Ausncia de uma identidade comum
aos empreendimentos, produtos e
servios da socioeconomia solidria e
de sua representao por meio de
uma logomarca nacional.
P A cultura de organizao solidria que
est se desenvolvendo ainda no est
bem elaborada, havendo situaes em
que a cultura capitalista de organizao
 adotada acriticamente.
P O poder do sistema hegemnico tambm
permeia, em graus variados, grande
parte das organizaes da economia
informal.
P As fragilidades metodolgicas e de capacitao
para o desenvolvimento sustentvel
experimentada pela maioria
dos empreendimentos.
P Dificuldades de socializar a maioria
das experincias: falta de comunicao,
informao, intercmbio e transparncia
entre os empreendimentos
existentes.
P A falta de qualificao e aprimoramento
tecnolgico dos empreendimentos;
P O machismo disseminado na sociedade
e a dificuldade em admitir que ele
existe, acorbetado em diversas prticas
cotidianas consideradas normais;
P A dependncia financeira, a falta de
profissionalizao, formao e informao
das mulheres.
P A noo arcaica de que o poder  algo
passvel de ser tomado, fazendo depender
dessa tomada qualquer transformao
substantiva das esferas econmicas,
polticas e culturais.
P Perder o controle sobre o eco, nas mdias,
das aes. Embora se tenha autonomia
no exerccio do poder, perde-se o
controle sobre a fora que as mdias
exercem na opinio pblica veiculando
mensagens sobre tal exerccio.
Economia Solidria e Trabalho  63
Extrado do texto Orientao bsica para organizao de
empreendimentos econmicos solidrios de autogesto  EES
Cooperativas. Osmar de S Pontes Jr. (osmarsa@ufc.br), Francisco
Jos Wanderley Osterne (foster@ufc.br)  Universidade Federal
do Cear  UFC  Fortaleza-CE - Janeiro de 2004
23CA04Txx_passos 12/14/06 10:21 PM Page 63
Expediente
Comit Gestor do Projeto
Timothy Denis Ireland (Secad  Diretor do Departamento da EJA)
Cludia Veloso Torres Guimares (Secad  Coordenadora Geral da EJA)
Francisco Jos Carvalho Mazzeu (Unitrabalho)  UNESP/Unitrabalho
Diogo Joel Demarco (Unitrabalho)
Coordenao do Projeto
Francisco Jos Carvalho Mazzeu (Coordenador Geral)
Diogo Joel Demarco (Coordenador Executivo)
Luna Kalil (Coordenadora de Produo)
Equipe de Apoio Tcnico
Adan Luca Parisi
Adriana Cristina Schwengber
Andreas Santos de Almeida
Jacqueline Brizida
Kelly Markovic
Solange de Oliveira
Equipe Pedaggica
Cleide Lourdes da Silva Arajo
Douglas Aparecido de Campos
Eunice Rittmeister
Francisco Jos Carvalho Mazzeu
Maria Aparecida Mello
Equipe de Consultores
Ana Maria Roman  SP
Antonia Terra de Calazans Fernandes  PUC-SP
Armando Lrio de Souza  UFPA  PA
Clia Regina Pereira do Nascimento  Unicamp  SP
Eloisa Helena Santos  UFMG  MG
Eugenio Maria de Frana Ramos  UNESP Rio Claro  SP
Giuliete Aymard Ramos Siqueira  SP
Lia Vargas Tiriba  UFF  RJ
Lucillo de Souza Junior  UFES  ES
Luiz Antnio Ferreira  PUC-SP
Maria Aparecida de Mello  UFSCar  SP
Maria Conceio Almeida Vasconcelos  UFS  SP
Maria Mrcia Murta  UNB  DF
Maria Nezilda Culti  UEM  PR
Ocsana Sonia Danylyk  UPF  RS
Osmar S Pontes Jnior  UFC  CE
Ricardo Alvarez  Fundao Santo Andr  SP
Rita de Cssia Pacheco Gonalves  UDESC  SC
Selva Guimares Fonseca  UFU  MG
Vera Cecilia Achatkin  PUC-SP
Equipe editorial
Preparao, edio e adaptao de texto:
Editora Pgina Viva
Reviso:
Ivana Alves Costa, Marilu Tassetto,
Mnica Rodrigues de Lima,
Sandra Regina de Souza e Solange Scattolini
Edio de arte, diagramao e projeto grfico:
A+ Desenho Grfico e Comunicao
Pesquisa iconogrfica e direitos autorais:
Companhia da Memria
Fotografias no creditadas:
iStockphoto.com
Apoio
Editora Casa Amarela
Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
(Cmara Brasileira do Livro. SP, Brasil)
Economia solidria e trabalho / [coordenao do projeto
Francisco Jos Carvalho Mazzeu, Diogo Joel Demarco,
Luna Kalil]. -- So Paulo : Unitrabalho-Fundao
Interuniversitria de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho ;
Braslia, DF : Ministrio da Educao. SECAD-Secretraria de
Educao Continuada, Alfabetizao e Diversidade, 2007,
-- (Coleo Cadernos de EJA)
Vrios colaboradores.
Bibliografia.
ISBN 85-296-0056-8 (Unitrabalho)
ISBN 978-85-296-0056-7 (Unitrabalho)
1. Economia 2. Livros-texto (Ensino Fundamental)
3. Solidariedade 4. Trabalho I. Mazzeu, Francisco Jos Carvalho.
II. Demarco, Diogo Joel. III. Kalil, Luna. IV. Srie.
07-0405 CDD-372.19
ndices para catlogo sistemtico:
1. Ensino integrado : Livros-texto :
Ensino fundamental 372.19
eja_expediente_Solidria_2375.qxd 1/26/07 3:32 PM Page 64

